domingo, fevereiro 12, 2012

A lição do CUT da Alemanha

Ontem à noite no twitter escreveram-me:
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 "O nosso problema são os custos unitários do trabalho (CUTs) que são muito altos"
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A afirmação veio na sequência de uma troca de argumentos em que a outra parte defendia que os salários portugueses tinham de baixar porque são muito altos.
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Voltando à minha base sobre a economia portuguesa. A economia portuguesa são 3 economias em simultâneo:

  • a dos funcionários públicos;
  • a que vive do mercado interno;
  • a que exporta.
Se falamos das duas primeiras, é claro que os salários vão baixar. Por exemplo, o crescente desemprego nas actividades associadas aos não-transaccionáveis é disso exemplo. Não é uma questão de competitividade, é uma questão de sobrevivência num mercado em forte retracção.
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Contudo, a mim interessa-me o caso da economia que exporta. Normalmente, diz-se que os salários do privado têm de baixar para que o país fique mais competitivo. 
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É nesse contexto que surge o argumento dos CUTs. A Alemanha, esse modelo de economia exportadora consegue ter CUTs muito mais baixos do que Portugal.
Perante o gráfico há alguns que até acham que os salários alemães diminuíram durante a última década (entre 2002 e 2007 cresceram 9% e, no entanto, os CUTs até baixaram!!!)
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Qual a evolução salarial?
Então, como se calculam os CUTs?
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A definição de CUT é a de um rácio entre a compensação total recebida pelos trabalhadores, o seu salário, e a produtividade do seu trabalho. Se assumirmos que o numerador se mede em euros e que o denominador se mede em número de pares de sapatos por trabalhador, o CUT mede-se em euros por par de sapatos, ou seja, o custo laboral total por unidade de saídas, de produto. 
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BTW, o que esta definição não tem em conta é o valor potencial de cada par de sapatos. Normalmente, quanto mais valor potencial tem um par de sapatos, mais tempo demora a produzir.
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Quando se comparam os CUTs de vários países, não se podem comparar euros por pares de sapatos com euros por automóveis. Assim, o rácio é entre salários e o valor do que foi produzido com esses salários. 
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Logo, mesmo que os salários subam, os CUTs podem baixar se os produtos produzidos tiverem um valor potencial que tenha crescido mais do que os salários. Ou seja, se a produtividade crescer mais depressa do que os custos do trabalho.
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Realmente a Alemanha aponta o caminho, em vez de reduzir salários, aumentar o valor potencial do que se produz.

Uma indústria pouco competitiva?


Falar de economia é traiçoeiro porque facilmente misturamos macroeconomia e microeconomia, bens transaccionáveis com bens não-transaccionáveis. 
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Quando falo de economia portuguesa falo de 3 economias em simultâneo:
  • a dos funcionários públicos;
  • a que vive do mercado interno;
  • a que exporta.
A maior parte dos portugueses vive nas duas primeiras e a austeridade impacta sobretudo estas. Os políticos, para prometer um futuro melhor, afirmam que o país tem de sofrer transformações que o tornem mais competitivo, para que mais empresas possam exportar, para que as empresas fiquem mais competitivas.
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Enquanto as duas primeiras economias tiveram uma década interessante, a terceira, a que exporta, passou uma década tormentosa, teve de fazer face à chegada da China ao mercado, teve de aprender a viver sem as boleias da desvalorização da moeda. Muitas empresas fecharam, muitas multinacionais fecharam, mas a transformação fez-se. 
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O que os políticos não sabem, nem os habitantes das duas primeiras economias é que  a receita de by-pass ao país, que prego há vários anos neste blogue teve este resultado em 2010:
  • CAE 10 - Indústrias alimentares - exporta 15% do que produz
  • CAE 11 - Indústria das bebidas - exporta 28% do que produz
  • CAE 12 - Indústria do tabaco - exporta 78% do que produz
  • CAE 13 - Fabricação de têxteis - exporta 59% do que produz
  • CAE 14 - Indústria do vestuário - exporta 78% do que produz
  • CAE 15 - Indústria do couro e dos produtos de couro - exporta 72% do que produz
  • CAE 16 - Indústria da madeira e da cortiça e suas obras, excepto mobiliário; fabricação de obras de cestaria e de espartaria -  exporta 52% do que produz
  • CAE 17 - Fabricação de pasta, de papel, cartão e seus artigos - exporta 65% do que produz
  • CAE 18 - Impressão e reprodução de suportes gravados - exporta 6% do que produz
  • CAE 19 - Fabricação de coque, de produtos petrolíferos refinados e de aglomerados de combustíveis exporta 19% do que produz
  • CAE 20 - Fabricação de produtos químicos e de fibras sintéticas ou artificiais, excepto produtos farmacêuticos - exporta 49% do que produz
  • CAE 21 - Fabricação de produtos farmacêuticos de base e de preparações farmacêuticas - exporta 32% do que produz
  • CAE 22 - Fabricação de artigos de borracha e de matérias plásticas - exporta 59% do que produz
  • CAE 23 - Fabricação de outros produtos minerais não metálicos -  exporta 32% do que produz
  • CAE 24 - Indústrias metalúrgicas de base - exporta 50% do que produz
  • CAE 25 - Fabricação de produtos metálicos, exceto máquinas e equipamentos - exporta 43% do que produz
  • CAE 26 - Fabricação de equipamentos informáticos, equipamento para comunicações e produtos electrónicos e ópticos - exporta 39% do que produz
  • CAE 27 - Fabricação de equipamento eléctrico - exporta 68% do que produz
  • CAE 28 - Fabricação de máquinas e de equipamentos, n.e. - exporta 50% do que produz
  • CAE 29 - Fabricação de veículos automóveis, reboques, semi-reboques e componentes para veículos - exporta 82% do que produz
  • CAE 30 - Fabricação de outro equipamento de transporte - exporta 80% do que produz
  • CAE 31 - Fabricação de mobiliário e de colchões - exporta 49% do que produz
  • CAE 32 - Outras indústrias transformadoras - exporta 40% do que produz
  • CAE 33 - Reparação, manutenção e instalação de máquinas e equipamentos - exporta 28% do que produz
  • CAE 35 - Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio - exporta menos de 0,1% do que produz
  • CAE 38 - Recolha, tratamento e eliminação de resíduos; valorização de materiais - exporta 28% do que produz
Como costuma escrever o Anti-comuna, os CAE 10 e 11, podem aproveitar a boleia da expansão do Pingo Doce (se se especializarem na guerra do preço e na escala). Basta atender a este exemplo recente:
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 "Os produtos portugueses, sobretudo alimentares, já representam metade da facturação do Lidl em Portugal. No entanto, a cadeia alemã de ‘hard discount' quer aumentar a relação com os produtores nacionais e aposta, para este ano, no reforço das exportações de bens portugueses para os mercados europeus onde está presente. ... Este é um processo que exige a instalação de capacidade adicional nos fornecedores, que não é possível conseguir-se de forma imediata." (Moi ici: claro que não é uma decisão fácil, basta recordar o que costumo escrever sobre a pedofilia empresarial)
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CAE 21 continua sujeito a regras absurdas num mercado que se quer livre "Meio milhão de euros de multas por exportação ilegal de medicamentos"
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Como a economia portuguesa em 2011 encolheu, e como as exportações cresceram mais de 15%, estes números já estão desactualizados. Por exemplo, as de calçado cresceram 16%, as de têxteis e vestuário mais de 12%, as de mobiliário mais de 9%, ...

A criação de emprego pelo Ministério da Economia

"O presidente da Cáritas Portuguesa está preocupado com a falta de investimento na criação de emprego.
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Para Eugénio da Fonseca não faz sentido que o Ministério da Solidariedade Social ponha em marcha medidas de apoio aos mais carenciados se o Ministério da Economia não investe na criação de emprego.
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O presidente da Cáritas pede por isso ao Executivo que combata a economia paralela e que não deixe fechar as instituições que lutam com dificuldades."
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Muita gente crê que o período de austeridade que vivemos é como tapar o nariz com os dedos de uma mão e mergulhar debaixo de água e esperar, esperar, esperar, e aguentar, aguentar, aguentar...
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Até o líder parlamentar do PSD partilha desta imagem. Por mais de uma vez o apanhei a afirmar algo do género:
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"Agora temos de arrumar a casa. Depois, com a casa arrumada iremos à economia."
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Não penso assim!
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Não vejo a austeridade como um período para aguentar. Nem espero que um governo, após a austeridade, estimule ou dinamize a economia.
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A austeridade é que muda a economia!!!
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A austeridade é um período de mudança, um período de transformação. Não andamos todos há demasiados anos a dizer que a economia precisa de ser mais produtiva? 
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O presidente da Cáritas acha que tem de ser o Ministério da Economia a investir na criação de emprego. Pois foi esse pensamento que nos trouxe até aqui! O pensamento de que o Estado e os políticos sabem o que é melhor para nós e para a economia, o truque de insuflar, ainda que esqueleticamente, o PIB à custa de gastos em betão e outras histórias, travestidos de "investimento" mas com retorno negativo.
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À medida que a austeridade avança e se aguenta, as empresas que viviam de uma bolha insustentável, assente nos gastos do Estado mas sem qualquer efeito reprodutivo na economia, têm uma de duas opções: ou mudam ou fecham.
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Muitas empresas têm de reduzir os seus quadros de pessoal porque o mercado ficou mais pequeno. Muitas empresas fecham, e ao fecharem, os seus recursos humanos e de capital ficam disponíveis para serem aplicados em novos desafios mais sustentáveis. A mudança não é imediata, leva o seu tempo, tudo o que o Ministério da Economia pode fazer é derrubar as barreiras à entrada de novos actores.
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Querer minimizar o impacte destas opções, criando emprego (insustentável) à custa de dinheiro que o Estado não tem, é deitar por terra todo o esforço de transformação em curso.
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BTW, acabar com a economia paralela é empurrar mais gente para a miséria.

sábado, fevereiro 11, 2012

Trabalhar mais horas para aumentar a produtividade do país?

Quando se comparam produtividades de países o que é que se compara?
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Um indicador que mede a riqueza gerada nas horas trabalhadas, ou seja, PIB/horas trabalhadas.
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Quando um país tem uma fraca produtividade o que é que dizem os encalhados da tríade?
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Tem de trabalhar mais!!!
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Contudo, se o país não estiver a usar a sua capacidade instalada ao máximo, de nada serve aumentar as horas de trabalho, para aumentar a produtividade. Pelo contrário, a produtividade baixa. 
Este gráfico foi feito com base em dados da OCDE relativos ao ano de 2010. Cada ponto representa um país da OCDE (por exemplo, Coreia e Chile num extremo e Holanda e Alemanha no outro. A Noruega e o Luxemburgo são dois outliers)
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BTW, não é porque se é mais produtivo que se é mais competitivo.
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De qualquer forma, isto serve para mostrar que é absurdo pensar em medidas de secretaria para aumentar a produtividade das empresas. 

A maré, as duas correntes e o que não aparece nas capas dos medias

Há sectores industriais em que os seus dirigentes associativos comandam a mudança, fazem a mudança acontecer e outros que são levados pela corrente. (Reparem na evolução do pensamento do presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), João Costa, "Outubro de 2010", "Setembro de 2011" e "Outubro de 2011")
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Ainda hoje me arrepio ao ler as palavras que transcrevi para este postal "Arrepiante", palavras de quem não conhece a lição de Gause e das suas paramécias que descobri em 2003 e registei aqui em 2006.
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Está tudo escrito há muito tempo, o como comandar a mudança, mas as velhas práticas são difíceis de abandonar.
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Há muito tempo que defendo que qualquer sector, por mais tradicional que seja, pode ter futuro se procurar valorizar as suas vantagens intrínsecas, se procurar valorizar o que o distingue de outros. A tendência descobri-a em 2006 (recordar exemplos aqui e aqui), teorizei-a aqui no blogue por várias vezes (rapidez, flexibilidade, inovação, moda, proximidade, relação, ...), encontrei almas gémeas (David Birnbaum, Suzanne Berger, Abernathy et al), depois, os exemplos vieram de outros sítios (aqui).
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Esta é a corrente que nos interessa como país, a corrente que assenta nos tópicos que o documento estratégico do sector têxtil mencionava.
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Contudo, nos últimos dois anos tem-se acelerado outra corrente, a que referi aqui, agora há clientes do B2B que tinham ido para Ásia e estão a regressar a Portugal por causa dos elevados custos asiáticos...
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Então, agora temos duas correntes a acelerarem, a dos que regressam por causa dos custos asiáticos e a que já vem de 2006 e que é a minha preferida, a que assenta numa revolução no retalho. BTW, claro que a falta de dinheiro também ajuda, é mais barato comprar em Portugal uma encomenda e, depois, fazer encomendas de reposição, consoantes as vendas, do que, ter de encomendar tudo de uma vez, pagando à cabeça, para encher um contentor que vai ter de viajar uns meses no alto mar (as companhias de navegação marítima estão a reduzir a velocidade dos seus barcos para poupar no combustível).
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Um exemplo recente desta mudança de maré aparece no Expresso de hoje:
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"A insatisfação com a qualidade (Moi ici: Duvido que este factor seja relevante), o aumento dos preços nos países asiáticos e a necessidade de produzir séries mais pequenas fizeram regressar à indústria têxtil e de vestuário nacional alguns clientes antigos.
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O presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), João Costa, reconheceu à Lusa que "há um conjunto de fatores a jogar a favor" da indústria nacional, que tem assistido ao regresso de clientes antigos, marcas internacionais, que tinham trocado o 'made in Portugal' pelo 'made in China'.

"Tem-se assistido a uma procura acrescida por algumas marcas que tinham diminuído substancialmente as compras em Portugal e outras que tinham mesmo desistido de colocar encomendas em Portugal", afirmou João Costa"

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Há uma frase que descobri há uns meses e que continua colada com um post-it ao meu PC:
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"because collectively we observe selectively"
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Ao longo dos anos tivemos oportunidade de ver, ouvir, e ler nos media notícias sobre o apocalipse que se abateu sobre o sector têxtil em Portugal.
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Olhemos para as "Estatísticas da Produçaõ Industrial 2010", publicadas há dias pelo INE. O tal país que precisa de sair do euro, que precisa da TSU, que precisa de reduzir salários, tudo para ser mais competitivo:
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Exporta...
59% da sua Fabricação de têxteis.
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Exporta...
78% da sua produção na Indústria do Vestuário.
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Faziam ideias destes números?
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Claro que faz mais parangonas a notícia de que fechou mais uma fábrica, do que saber que uma Empresa Têxtil Nortenha exporta 92% da produção.


Tantas lições

Um pequeno artigo sobre uma marca de mobiliário e tantas lições para os interessados!!!
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"Em 2008, a crise económica que desabou sobre a Europa já dava os primeiros sinais, com os investimentos, o empreendedorismo e os projetos inovadores a serem pensados e repensados, perante um cenário que não se adivinhava fácil.
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Ainda assim, Paula Sousa, uma jovem designer, então com 30 anos, já com provas dadas no sector, consolidadas com uma experiência profissional em Itália, pesou os prós e os contras, e com estudo, formação e dedicação, decidiu seguir um sonho antigo, "pontapeando" os vaticínios negativos dos indicadores económicos para estabelecer a sua própria empresa e a marca Munna. (Moi ici: A economia pode estar mal, contudo, isso não é razão para que uma empresa, ou um projecto em particular tenha de correr mal. Não é preciso correr mais do que o leão... basta correr mais do que outro corredor)
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Logo nos primeiros minutos de conversa com a empresária Paula Sousa, percebe-se os ingredientes de sucesso. "A paixão na criação dos produtos" é o conceito-chave no léxico da Munna, em que detalhes como "o serviço aos clientes, a qualidade das peças e a inovação", corporizam resultados económicos crescentes ano após ano.  (Moi ici: Quantas vezes escrevo aqui sobre a importância da paixão, aquilo que não aparece nas folhas de cálculo, nem é captável pelos algoritmos das instituições financeiras)
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A criadora partilhou com o DN o estilo que adotou para o mobiliário que cria: "Não fazemos peças minimalistas nem clássicas. Tentamos fazer algo único. Inspiramo-nos na história da arte do mobiliário e, dentro dos vários estilos que existem, selecionamos algumas formas e alguns conteúdos e adaptamos para um estilo moderno."  (Moi ici: Outra lição. Não competir por ser o melhor, tentar, procurar, desejar ser único. Estar num campeonato, num jogo à parte, num jogo em que as regras nos favorecem, em que podemos ser diferentes)
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No atual modelo de negócio, a Munna não aposta na produção própria. A empresa desenha as peças e depois subcontrata a sua execução física a outras firmas.  (Moi ici: Outra lição. Produzir é o mais fácil. Difícil, difícil é vender. Tanto empresário que se concentra única e exclusivamente nas máquinas, nas linhas de fabrico e descura a venda, o circuito que valoriza o que faz)
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A conjugação do design, da tecnologia e da tradição, da qual resulta as peças da Munna, tem sido uma fórmula de sucesso reconhecida em feiras e na imprensa especializada, que serviu de rampa de lançamento da marca quando, em 2008, a conceituada revista britânica Interior Designs for Professionals publicou uma peça da empresa na sua capa e elegeu uma das criações de Paula Sousa com uma das melhores do ano.  (Moi ici: Outra lição. O papel das feiras e o papel dos prescritores, começamos a entrar no ecossistema da procura, na criação e desenvolvimento de relações com outros agentes que podem influenciar os clientes)
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A aposta da Munna passa claramente pela internacionalização, pois tal como admite a empresária "Portugal é um país pequeno em consumo de design, sendo muito limitativo pensar apenas no mercado nacional". E a verdade é que o mobiliário português parece estar em alta em termos de aceitação internacional: "Ainda na última feira em que estivemos verificámos que muitos clientes estão a escolher fornecedores portugueses, elogiando a qualidade, a inovação e o design", notou Paula Sousa.
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Perante tal potencial, a jovem empreendedora não hesita em deixar um conselho a outros criadores nacionais: "Recomendo que tenham persistência, ambição e capacidade para correr riscos e se lançarem neste mercado. Há enorme potencial para ser explorado, e quando se fala em crise acho que ela está no gestor e não nos criativos."  (Moi ici: Outra lição. Os gestores olham para números, aprenderam a trabalhar para a concorrência perfeita. Os criativos, recordar Hilary Austen, tentam alimentar a concorrência imperfeita)
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Trechos retirados de "Simbiose de 'design' e tradição leva criações além-fronteiras"

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Especialistas versus generalistas (parte III)

Lembram-se do conselho de Alberto da Ponte?
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"Não generalizarás!!!"
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Escala, crescer... lembram-se dos dinossauros azuis?
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"If there is one culprit in how brands lose their uniqueness, our vote goes to the concept of growth. The desire to constantly get bigger seems to be almost a reflex action. We suspect that’s because it’s at the heart of how people get rewarded. CEOs pursue growth to ensure their tenures and increase their take-home pay.
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two bad things happen when companies chase the god of growth. First, they become distracted and miss the opportunity to pour it on and preempt that differentiating idea, or to make it bigger and better.
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When you’re the Porsche of computers, you don’t move into cheaper computers. You dominate the high-performance business by getting more customers to want high-performance computing. (After all, what wealthy company wants low-performance computing?)
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The other bad thing that happens is that in an effort to pursue ‘‘endless growth,’’ companies fall into what we call the line extension trap. It’s typical megabrand thinking: you hang your brand on as many related or even nonrelated categories as possible. It’s what we call ‘‘inside’’ thinking about a successful brand and how to make it bigger and better.
Unfortunately, the only thinking that works in the marketplace is the ‘‘outside’’ thinking that works in the mind of the prospect.
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Marketers fail to realize the long-term damage they do by growing beyond their original identity. They set up serious questions about a brand’s difference
...
What happens is that by presenting yourself as something other than what you’re known for begins to erode your special difference.
You begin to cloud your identity. As you read earlier, minds can lose focus. Next, you force people to change their mind about what you are about. This is never a good strategy because people hate to change their mind. As psychologists will tell you, changing an attitude means that a person must change his or her beliefs. (Good luck on that one.)"
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Finally, you have the problem of becoming that ‘‘something else.’’ How is your new effort different? Where are your credentials for that new thing? (Good luck on that one.)
So what you end up doing is undermining your basic identity or difference while, at the same time, you have a hard time selling your new one. Can you succeed that way? Not likely.
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What companies often do is fail to recognize that maintaining focus on their basic business can work out a lot better in the long run.
If Volvo makes the safest car in the world, why suddenly move into sporty vehicles? (Moi ici: Recordar "Reflexões sobre o futuro das marcas") Better to look around the world and go where they need safe vehicles. Have you ever driven on a road in India? You sure do want the safest car you can find.



Trechos retirados de "Differentiate or die : survival in our era of killer competition" de Jack Trout, com Steve Rivkin.

Lições sobre a concentração fabril e sobre as cadeias de abastecimento demasiado longas

Neste postal "A re-industrialização do Ocidente" escrevi:
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"Ainda na semana passada me contaram a história de uma multinacional que teve fábricas em Portugal e que concentrou toda a sua produção mundial numa fábrica na Tailândia. Com as cheias, parece que perderam grande parte das máquinas e estão, a trabalhar novamente em Portugal com trabalhadores que tinham despedido e indemnizado"
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Cá está a confirmação:
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"A Ecco, a multinacional dinamarquesa que chegou a ser a maior produtora de calçado em Portugal, está de volta e a contratar trabalhadores "em grande escala".
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A empresa, que deslocalizou a sua produção para a Ásia em 2009 e deixou aqui apenas o centro de investigação e desenvolvimento, está novamente a produzir calçado na fábrica de Santa Maria da Feira. O objectivo é chegar, rapidamente, aos 450 funcionários.
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Segundo o JN/Dinheiro Vivo apurou, só na última semana terão sido admitidos cerca de 150 trabalhadores e outros tantos estarão para ser contratados. A fábrica estará já com 300 funcionários, número que não conseguimos confirmar com exatidão, já que a Ecco não se mostrou disponível para comentar o reforço de posição em Portugal, e o sindicato desconhece o número atual. Mas sabe que “todas as semanas entra pessoal”, como confirmou a líder do Sindicato dos Operários da Indústria do Calçado. Fernanda Moreira afirma que é com “grande satisfação” que vê, na actual conjuntura de aumento generalizado do desemprego, uma empresa a “recrutar em grande escala”. “O que mais esperamos é que a decisão seja a de manter aqui a produção”, sublinha.
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Já o delegado sindical da empresa, Fernando Linhas, explica que este reforço – em 2009, para o desenvolvimento das amostras ficaram, apenas, 120 trabalhadores – visa colmatar a falta da fábrica na Tailândia, “completamente destruída” nas graves inundações que devastaram o país por mais de três meses e provocaram largas centenas de mortos."
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Interessante a pressão que tal vai impor sobre os salários dos operários na região. 
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Lições sobre a concentração fabril e sobre as cadeias de abastecimento demasiado longas?

Um grande exemplo

"2011 foi o segundo melhor ano de sempre para sapatos portugueses"
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"A indústria de calçado teve em 2011 o seu segundo melhor ano de sempre, exportando 1560 milhões de euros, um aumento de 16% face ao ano anterior. Mas há um pormenor a ter em conta. O recorde de exportações foi obtido em 2001, com 1590 milhões de euros, mas nessa altura as multinacionais, como a Ecco, a Rhode e a Clarks, por exemplo, ainda estavam em Portugal.
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A performance de 2011 tem, por isso, um sabor especial, na medida em que foi obtida "pelas empresas de capital exclusivamente português", refere a associação do calçado, a APICCAPS."
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Um sector que segue o meu conselho:
Trabalhar para aumentar os preços é muito mais saudável, e rentável, do que só pensar em reduzir os custos.
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quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Sem bentos!!!

Assim que li esta notícia, ontem,
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"As exportações alemãs aumentaram 11,4% em 2011, na comparação homóloga com o ano anterior, perfazendo 11,06 biliões de euros, anunciou hoje o Instituto Federal de Estatística (Destatis)".
guardei-a logo, para, depois, poder comparar com o desempenho português.
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Hoje, aqui "Estatísticas do Comércio Internacional -Dezembro de 2011", encontrei os números para fazer a comparação:
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As exportações portuguesas aumentaram 15,2% em 2011, na comparação com o ano anterior, perfazendo 42,4 mil milhões de euros.
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Nada mau!!!
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Para fora da União Europeia, apesar de termos a moeda dos alemães, a tal que nos torna pouco competitivos, as exportações portuguesas cresceram 19,6%.

E para quem acredita que os custos são tudo...

Em Agosto de 2008 especulei aqui ("Especulação") que a China poderia começar a pôr um fim ao seu modelo quase exclusivamente dedicado à exportação e começar a apostar no desenvolvimento do seu mercado interno.
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Tal passaria por uma valorização da sua moeda:
Bingo!
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Tal passaria por um aumento dos salários:
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Bingo!
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"China’s economic rise is largely due to low-wage manufacturing. However, statistics from the International Labour Office show that average monthly wages have risen around 12-13 per cent for each of the last five years.
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A quick hypothetical example: A developed country pays workers $1000 per year, and an emerging market pays $100 per year. The former wage increases of 2 per cent per year, and the latter 12 per cent. In year zero, the wages in the EM are a tenth of the DM. If the increases stay the same, how long until the gap is halved to a fifth?
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Seven years. So China is catching up. But wages aren’t the whole story: China’s labour productivity is about 12 per cent of that of the US. (Moi ici: A produtividade média portuguesa é cerca de 50% da americana) And the costs of production aren’t just labour – there are components, the cost of capital and so on. (Moi ici: E os custos de transporte, e os custos da rigidez que a distância impõe) In fact, there are recent stories suggesting that companies are keener on US labour as coastal wages in China are now too high."
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Quem acompanha este blogue sabe que não morro de amores  pela via do custo mais baixo, apesar de reconhecer que é uma abordagem perfeitamente legal e honesta, prefiro a via do valor, a única que traz benefícios para todos.
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Contudo, tenho de reconhecer que esta alteração estrutural na China pode ajudar muito a re-industrializar umas certas franjas do Ocidente.
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Quem acompanha este blogue sabe que a tendência de regresso começou a detectar-se já em 2006 (exemplos aqui e aqui), não por causa dos custos, mas por causa da flexibilidade, por causa da rapidez, por causa da propriedade intelectual.
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Triste mesmo, é que muitos empresários não percebem porque é que os seus clientes começaram a regressar em 2005/6, ... subestimam-se demasiado, mesmo muito.
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Experiências no mundo do retalho

Interessante, agora que tantos e tantos acreditam que as Amazons vão dar cabo das lojas de pedra e cal... a Amazon vai abrir uma loja de pedra e cal!!!
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"Amazon 'to open first physical shop'"
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Qual é o desafio que eu vejo nesta abordagem?
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A Amazon, segundo Bezos himself, é uma empresa que trabalha para reduzir preços, está habituada a essa linha de orientação, esmera-se em aperfeiçoar e aprofundar os trade-offs que vêm agarrados a essa proposta de valor.
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Ao ler "The shop is being opened in a bid to gauge how profitable a chain of retail stores, in a similar vein to Apple, would be, reports the US books blog, Good E-reader.
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It will focus on selling Kindles, the new Kindle Fire tablet, which has yet to go on sale in the UK, and also a range of ‘Amazon Exclusives’ physical books, which the technology giant publishes."
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Querer copiar a Apple... não me parece boa ideia para uma empresa forte no preço mais baixo.
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Ao mesmo tempo, o criador do conceito da loja Apple, agora como CEO da JC Penney, anda a experimentar um novo conceito de loja "J.C. Penney gets rid of hundreds of sales" o fim das promoções e saldos... (algo que, se pegar deste lado do Atlântico, ainda vai sobrar para as PMEs portuguesas, porque este modelo obriga a cadeias de abastecimento mais curtas).
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Lembram-se do que escrevi sobre os saldos de 60% da Sacoor?
Lembram-se do que David Birnbaum escreveu sobre os saldos? ("the longer the lead time, the longer the markdowns")
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Eis o que a J.C. Penney vai experimentar:
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"J.C. Penney is permanently marking down all of its merchandise by at least 40 percent so shoppers no longer have to wait for sales to get bargains."
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Sintomas de que muita gente anda a fazer experiências no mundo do comércio... por cá... será que a CCP acha que a salvação virá dos políticos? Deviam estar a desafiar, picar, "chatear", apoquentar os seus associados para reflectirem sobre o futuro e prepararem uma resposta ao colapso da procura interna e ao poder da distribuição grande, não com base em benesses dos políticos (sempre perigosas, por causa dos juros que trazem agarradas) mas através da escolha dos clientes-alvo e da sua sedução. 

Só agora? Só ao fim deste tempo todo?

Quem conhece este blogue sabe o quanto admiro o sector do calçado, quer as suas empresas, quer a sua associação, quer o seu centro tecnológico.
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O sector do calçado é um laboratório do que pode ser o sucesso de um sector tradicional dedicado à exportação, sem a boleia das desvalorizações de moeda.
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Os pregadores da concorrência perfeita falam em escala, custos, eficiência. Aqui, neste espaço, como adeptos e promotores da concorrência imperfeita e dos monopólios informais, propomos um outro caminho, o da eficácia, o da diferenciação, o da flexibilidade, o da rapidez, o da moda, o da inovação, o da escassez, o da ... .
Assim, foi com surpresa que descobri esta notícia "Esta empresa de calçado vai despedir 100 pessoas":
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""A Move On, empresa de calçado detida em 51% pela multinacional Tata, que foi adquirida em processo de insolvência pelo Estado e pelos cinco maiores bancos portugueses, vai despedir uma centena de trabalhadores.
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A empresa de calçado explicou que «decidiu focar a atividade da unidade Esmoriz, [Ovar], em operações de valor acrescentado, de forma a garantir a continuidade da empresa e a adequar a sua estrutura de custos à realidade atual do mercado»."
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Ao fim destes anos todos... depois de tudo o que os exemplos de sucesso no sector nos dizem, basta recordar o segundo conjunto de gráficos deste postal "O choque chinês num país de moeda forte (parte II)" (BTW, hoje reconheço que este título podia ser muito melhorado, o choque chinês não depende da moeda do país afectado, o Brasil, o México, a Turquia, a Europa de Leste que o digam) só agora é que a gestão de topo da Move On percebeu que a escala, a quantidade não é escape para uma empresa de calçado em Portugal... por agora.
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Devem ter por lá muitos doutores e engenheiros, prisioneiros dos modelos mentais e dos mapas cognitivos que ficaram obsoletos mas que se continuam a ensinar nas universidades... a maioria dos empresários de sucesso do calçado têm a 4ª ou a 6ª classe, não prestam vassalagem mental a nenhum modelo, não os conhecem, testam e replicam o que dá certo.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Não generalizarás!!!

Realmente é verdade, nós não vemos a realidade, nós vemos o que a nossa mente aprendeu, o que a experiência nos permite ver.
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Qual é o negócio da Sociedade Central de Cervejas (SCC)?
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Produzir e comercializar cerveja.
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Cerveja artesanal ou cerveja em escala?
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Cerveja em grande escala.
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Então, quais são as linhas de orientação da SCC?
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Fácil!!!
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Escala, pouca variedade, eficiência, redução de custos, redução de desperdícios, ...
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Com efeito, no JdN de hoje encontro:
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"O ainda líder executivo da SCC assegura que a empresa está a envidar esforços de racionalização. "Continuamos a trabalhar muito na melhoria de processos e isso leva-nos a que consigamos produzir a custos inferiores", explicou Alberto da Ponte.
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O presidente da SCC não consegue, para já, dar garantias de que a racionalização não implicará ajustamentos no quadro de pessoal. Recorde-se que a concorrente Unicer decidiu no final do ano passado preparar o encerramento da sua fábrica em Santarém. "Temos de estar preparados para tudo. Nós já só temos uma fábrica de cervejas, que está a trabalhar a plena capacidade. (Moi ici: Se o negócio é escala há que produzir no limite da capacidade para diluir os custos fixos) O meu desejo é sempre nunca fazê-lo [cortar pessoal], mas só o futuro o dirá. E o futuro está cada vez mais incerto", declarou Alberto da Ponte."
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Surpreende-me é que  o líder executivo da SCC queira replicar o mosaico de orientações que são válidos para o negócio da escala, para o conjunto da economia portuguesa... como se as PMEs só possam competir pela escala e pelo custo!!!!
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Na conferência, o gestor enfatizou a importância de a economia portuguesa ganhar escala. "A produtividade de um país como Portugal não pode ser conseguida se não tivermos escala", afirmou. (Moi ici: Um rotundo não. Basta atentar no exemplo do calçado, do mobiliário, do têxtil, da cerâmica, do vinho, ... empresas mais pequenas, com menos trabalhadores, a produzir cada vez menos em volume e a ganhar cada vez mais dinheiro) "As empresas portuguesas devem ter a capacidade de se associarem mais", referiu ainda o líder da SCC."
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O que o líder executivo da SCC diz só faz sentido para as empresas que competem pelo preço, as que têm que ter custos cada vez mais controlados. Não tente generalizar para todos os sectores.
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E à medida que as empresas como a SCC e a UNICER se esmeram e especializam no custo e na escala, abrem a porta para o que já está a acontecer em muitos países... a explosão de pequenas unidades "artesanais" que produzem cervejas diferentes.
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Os alicerces da concorrência imperfeita

Quando falamos de mosaico de actividades sintonizado com uma proposta de valor, falamos disto:
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"When a company focuses on delivering a different kind of value to a different set of customers - (Moi ici: Os clientes não são todos iguais, não têm todos os mesmos gostos e necessidades, procuram e valorizam diferentes experiências na sua vida) for Porter, the essence of strategic positioning - the list of value chain differences can be extensive.
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Choices in the value proposition that limit what a company will do are essential to strategy because they create the opportunity to tailor activities in a way that best delivers that kind of value. Tailoring is possible only if there are limits, only if you are not trying to be all things to all people. In other words, limits make it possible to develop a value chain that is different from that of rivals who have chosen to offer a different kind of value.
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This is a crucially important test that should be applied to any strategy. If the same value chain can deliver different value propositions equally well, then those value propositions have no strategic relevance. Only a value proposition that requires a tailored value chain to deliver it can serve as the basis for a robust strategy. This is the first line of defense against rivals.
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Strategy, then, defines a way of competing, reflected in a set of activities that deliver a unique value in a particular set of users or for a particular set of customers, or both. In most industries, there can be many strategically relevant value propositions. This simply reflects the great diversity in customers and needs, and the fact that different activity configurations are often required to meet those needs most effectively.
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robust strategies always involve a significant degree of tailoring. To establish a competitive advantage, a company must deliver its distinctive value through a distinctive value chain. (Moi ici: Diferentes cadeias de abastecimento, diferentes cadeias de valor, diferentes estruturas empresariais, diferentes produtos e serviços...)
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Thus the value proposition and the value chain - the two core dimensions of strategic choice - are inextricably linked. The value proposition focuses externally on the customer. The value chain focuses internally on operations."
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É isto que permite a diferenciação estratégica. É isto que permite minar o conceito de concorrência perfeita.
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Quando há trade-offs, quando há opções que obrigam a seguir diferentes caminhos, as empresas podem diferenciar-se ... têm de diferenciar-se para ter sucesso, têm de ter estruturas diferentes, têm de realizar actividades diferentes, têm de apresentar produtos e serviços diferentes, tudo porque os clientes não são todos iguais... estes são os alicerces da concorrência imperfeita.
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Trechos retirados de "Understanding Michael Porter" de Joan Magretta.

Quem são os clientes da sua empresa?

Este postal de Seth Godin, "Who is your customer?", em sintonia com o que escrevemos e praticamos.
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Embora já estejamos um pouco mais à frente, orquestrando e harmonizando todo um ecossistema da procura, trocando reciprocamente propostas de valor que promovem relações ganhar-ganhar entre os agentes.

Outra componente da concorrência imperfeita

O valor não é calculável através de uma folha de cálculo.
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O campeonato do valor é o campeonato da arte ao serviço da boa batota em que assenta a concorrência imperfeita.
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Um dos factores-chave para a diferenciação da oferta, parâmetro crítico para a concorrência imperfeita, é o design, apesar dos Velhos do Restelo continuarem cegos (aqui e aqui). Assim, é reconfortante perceber:
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"E "praticamente em todos os sectores" há empresas que reconheceram o valor da disciplina (Moi ici: Design) e a foram "integrando com sucesso", ... Mas não é menos verdade que "há sectores, como o calçado, que, pela forma como se têm organizado e desenvolvido e pelas experiências e leituras que fizeram dos mercados e da concorrência, perceberam que o design era absolutamente crítico para a sua sobrevivência e crescimento", salienta, ainda, a responsável do Centro Português de Design.
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E os números do calçado não deixam margem para dúvidas: nos últimos oito anos, o sector registou 250 novas marcas, 30 patentes e dois mil produtos. A prova de que a indústria está a "investir, como nunca, em promoção comercial externa, marketing e design, os chamados fatores imateriais de competitividade, e que é o único caminho possível para que as empresas possam ser cada vez mais diferenciadoras e mais competitivas no mercado global", refere o porta-voz da associação do calçado, a APICCAPS.
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A aposta das empresas de calçado nesta área é tão importante que todos os anos "os cerca de 60 jovens designers que saem do Centro de Formação do Calçado e da Escola Profissional de Felgueiras são absorvidos pela indústria muito antes da conclusão do curso", assegura Paulo Gonçalves.
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Sendo a inovação e a competitividade "fatores críticos para o desenvolvimento de qualquer economia", Beatriz Vidal salienta que o design tem um papel "fundamental e estratégico" no aumento das exportações. Não admira, por isso, que a região norte tenha, por si só, concentrado 41,2% dos pedidos de design (de desenhos ou modelos) em 2010.
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A indústria de mobiliário foi responsável, nesse ano, por 15% dos pedidos de registo, enquanto o vestuário assegurou 10%.
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Raras são as empresas exportadoras que hoje não contam com um ou mais 'designers' nos seus quadros para o desenvolvimento dos seus produtos. A diferenciação é condição fundamental para a competitividade de indústrias como o calçado, o mobiliário ou o têxtil e vestuário, altamente sujeitos à concorrências dos artigos de preço baixo oriundos da China e dos países do Oriente."
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Acerca de Mongo e da revolução na indústria

Steve Denning acerca de Mongo e da economia que aí vem:
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"20th Century management was built on economies of scale. To make a single unit of a thing typically cost a lot more to produce than 10,000 would. The price per unit goes down even more as the numbers increase.
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In the foreign outsourcing of manufacturing, managers chased these economies of scale, often overlooking the additional costs of transport, inventory management, quality control, sales, marketing and distribution of large production runs, as well the risks involved in such extended supply chains. They paid scant attention to the long-run costs of losing knowledge and the opportunity to learn. In so doing, they destroyed whole sectors of the economy.
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Now the economics of large-scale production runs carried out overseas are being disrupted by the possibility of making, selling and delivering millions of manufactured items one unit at a time, right next to the customer."
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E os comentários ao artigo... mostram como Mongo já cá está.
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terça-feira, fevereiro 07, 2012

A re-industrialização do Ocidente

Tenho idade suficiente para me lembrar da hemorragia no final da década de 90 do século passado... Seagate, Texas Instruments, foram nomes, dois entre muitos, que abandonaram Portugal e foram para a Ásia.
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Depois, já na primeira década do século XXI a hemorragia continuou, com a saída de inúmeras empresas, por causa do encarecimento da mão-de-obra portuguesa e a descoberta do modelo "China como fábrica do mundo".
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Qual é a melhor receita para acabar com os preços altos do petróleo? São os preços altos do petróleo!
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Qual é o maior perigo para o sucesso do modelo "China como fábrica do mundo"? O seu próprio sucesso, com as consequentes reacções em cadeia que gera. É tudo um jogo de vasos comunicantes e de carambolas de bilhar.
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Por outro lado, a adopção de modelos de negócio que exigem cadeias de abastecimento mais curtas, mais rápidas, mais flexíveis, menos exigentes em termos de capital empatado foram um sinal que comecei a detectar em 2006 (aqui e aqui) e que se tem acelerado desde então "Mantenham as vossas fábricas".
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Para a semana, Medina Carreira na TVI24 vai falar sobre a desindustrialização da Ocidente, ele que só conhece a concorrência perfeita, a que assenta no preço, aposto que vai passar ao lado deste tipo de sintomas:
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"China's Export Pain May Be Mexico's Gain"
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"Buying stuff from China isn't such a bargain anymore. One consequence of that: Companies that move freight from Mexico are getting busier.
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China has long been the destination for companies looking to cut costs. A huge population of untapped workers, along with a leadership keen to build out the country's manufacturing infrastructure, made it the world's best place to make things cheaply. But nothing lasts forever.
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The pool of Chinese workers is getting shallower. China's one-child policy and cultural preference for boys have led to a shrinking population of young people, particularly the women who work the floors of the apparel and electronics firms. The United Nations projects the number of women aged 15 to 24 in China will fall from 106 million in 2010 to 92 million in 2015. Add rising affluence, and labor costs are going up faster than productivity increases at Chinese firms can offset them.
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Moreover, commercial land prices have shot up, while government-controlled prices for energy are moving closer to market rates. The yuan has risen 30% in trade-weighted terms over the past five years and will continue to creep up. It is no wonder that the price of imports from China, flat for many years, has been rising since late 2010.
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Supply-chain problems have also led companies to rethink outsourcing. When demand fell sharply following the 2008 financial crisis, many were stuck with inventory on slow boats from China. Volatile energy prices have made transportation costs (Moi ici: A vantagem da proximidade, mais importante que a flexibilidade laboral) more uncertain. Last year's tsunami in Japan and Thai floods (Moi ici: Ainda na semana passada me contaram a história de uma multinacional que teve fábricas em Portugal e que concentrou toda a sua produção mundial numa fábrica na Tailândia. Com as cheias, parece que perderam grande parte das máquinas e estão, a trabalhar novamente em Portugal com trabalhadores que tinham despedido e indemnizado) underscored the fragility of long supply chains (Moi ici: Este fim-de-semana, num centro comercial, vi na montra que a Sacoor estava a praticar saldos de 60% e a Sisley de 70%... será que continua a fazer sentido este modelo de negócio assente em contentores cheios, fabricados no outro lado do mundo seis a nove meses antes de serem expostos nas prateleiras?)
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The biggest beneficiary is Mexico. The country and its companies were hurt badly over the past decade by a loss of exports to China. The trade shift could be a salve to the economic and social woes that have made some investors skittish of putting money there." (Moi ici: Isto no caso do fornecimento do mercado americano, e no caso da Europa? BTW, na Europa há uma vantagem para os países periféricos, os consumidores são mais exigentes e requintados que os norte-americanos)
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De outra fonte:
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"it seems more and more evident that the balance of growth is shifting. We don’t have any details yet, but given that the trade surplus ended 2011 at only just over 2 pct of GDP, it seems clear that net trade negatively contributed more and more as the year progresses. Consumption, therefore, must have started to rise as a share of GDP."
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Basta recordar o que se passa com o vinho e como os portugueses estão a aproveitar.  

A agricultura e a concorrência imperfeita

Agricultura...
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Como pensa o adepto da concorrência perfeita?
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Temos de ser auto-suficientes, temos de produzir tudo o que comemos, custe o que custar.
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Se os franceses, os alemães, os polacos, os russos e os ucranianos podem produzir cereais baratos isso não interessa temos de competir com eles... apesar do terreno e do clima ser-nos desfavorável.
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Como pensa um adepto da concorrência imperfeita?
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Onde podemos fazer a diferença? Onde temos uma vantagem competitiva? Onde é que o clima e a nossa localização geográfica ajudam a criar uma paisagem competitiva, um terreno desnivelado a nosso favor?
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Quem é que na Europa, do Norte até ao Mar Negro, está agora, com este frio siberiano, a produzir frutas e legumes? E se sim, a que custo?
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"Exportação de frutas e legumes deve chegar aos mil milhões de euros este ano"
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Recordar "Uma oportunidade"
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O adepto da concorrência imperfeita lembra-se sempre da lição de David e opta pelo caminho menos percorrido, opta pelo combate que lhe dá vantagem, não tenta, na secretaria, que alguém prenda os pés ou tape os olhos a Golias.