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segunda-feira, abril 13, 2020

Desigualdade, heterogeneidade e produtividade

Um artigo interessante sobre o aumento da desigualdade entre assalariados nos Estados Unidos. As conclusões estarão em linha com outros estudos feitos para o Reino Unido, Alemanha, Suécia e Brasil.
"In this article, we study the contribution of firms and the role of worker composition between firms in the rise in earnings inequality in the United States using a longitudinal data set covering workers and firms for the entire U.S. labor market from 1978 to 2013. Our data set has several key advantages for studying firms and inequality: it is the only U.S. data set covering 100% of workers and firms for the entire period of the rise in inequality,...Our first main result is that the rise in the dispersion between firms in firm average annual earnings accounts for the majority of the increase in total earnings inequality.
First, the rise in earnings inequality between workers over the past three decades is strongly associated with their employers. Two-thirds of the increase in the variance of log earnings from 1981 to 2013 can be accounted for by a rise in the dispersion of average earnings between firms and one-third by a rise in the differences in earnings between workers within firms..Second, examining the sources of the increase in between firm inequality, we find that it has been driven about equally by increased employee sorting (i.e., high-wage workers are increasingly found at high-wage firms) and segregation (i.e., highly paid employees are increasingly clustering in high-wage firms with other high-paid workers, while low-paid employees are clustering in other firms).Third, the distribution of firm fixed effects themselves accounts for essentially none of the rise in inequality. Instead, about two-thirds of the rise in inequality is accounted for by rising variance in individual fixed effects, potentially due to rising returns to skill.Fourth, the rise in within-firm inequality is concentrated in large firms with 1,000+ employees (and even more so in mega firms). This is driven by a fall in the earnings premium in large firms for median- and lower-paid employees and by rising earnings for the top 10% of employees."
Nunca esquecer o quanto os políticos, académicos e paineleiros (a minha famosa tríade) desconhecem esta realidade da heterogeneidade crescente entre empresas, mesmo dentro do mesmo sector. Recordar: "A distribuição de produtividades está a aumentar"

"Firming up inequality" de Jae Song, David Price, Fatih Guvenen, Nicholas Bloom e Till von Wachter, publicado por The Quarterly Journal of Economics - Vol. 134 2019 issue 1


quinta-feira, dezembro 05, 2019

Variedade no têxtil

Ontem o Jornal de Negócios publicou o artigo "Têxtil perde 2 mil empresas e 28 mil empregos até 2025".
Segundo o novo plano estratégico do sector teremos menos empresas, menos postos de trabalho, mas mais vendas e exportações. Sabem o que isto quer dizer? Mais produtividade.

O sector já nos habituou a alguma dificuldade em acertar nas previsões (recordo "Pôr em perspectiva (Parte I)" - o sector perdeu mais trabalhadores e empresas do que inicialmente previsto, e recordo "Acerca de uma previsão" de Dezembro de 2014 - comparar com "O anterior plano [até 2020] era, de tal forma [Moi ici: conservador] que ultrapassámos as metas quatro anos antes.[Moi ici: Por isso escrevo aqui tanto sobre os Zapateros, quando o mundo muda]

O plano prevê uma redução no peso actual (80%) dos destinos europeus, compensado pelas compras novas ou reforçadas de clientes americanos, canadianos e asiáticos. (1) No entanto, isto não bate muito certo com:
"Alinhando com "os valores em mudança da sociedade de consumo" e os princípios da rastreabilidade e da economia circular, este último vetor é mesmo apontado como "a pedra de toque" no futuro próximo. E a indústria nacional acredita que "nenhum outro pais produtor está tão bem posicionado" devido à proximidade aos clientes
Outro vector de actuação (2):
"Apontando à liderança mundial em "produtos dc nicho e de alta gama", ameaçando assim a concorrência alemã nos artigos técnicos e a italiana na moda dc luxo"
Consideremos esta matriz, para nos ajudar a pensar:
 Quando acima falamos em (1) de certa forma estamos a falar da já famosa artesã de Bragança, ou das madeiras para a cozinha do Jamie Oliver. Estamos a falar do foco nas aptidões.

Quando acima falamos em (2) de certa forma estamos a falar em subir na escala de valor à custa de novas aptidões e novos clientes. Daí os alguns dos "cinco drives" mencionados no jornal:
"o desenvolvimento do conhecimento e produtividade; a evolução do design e criatividade; o investimento na inovação tecnológica; a aposta na internacionalização e o aumento das exportações e a promoção da sustentabilidade."
Esta linha (2) tem o risco da incerteza que Hausmann tão bem resume em "os macacos não voam". Não basta comprar máquinas novas. É todo um novo modelo de negócio repleto de novidades.

Os Forum para a Competitividade deste país só conhecem o foco na eficiência, estratégia sempre arriscada para um país de PMEs, pouco habituadas a planeamento e organigrama.

Também há espaço para algumas empresas destas em Portugal, mas poucas. Há tempos tinha marcada uma auditoria para o início da tarde com a área comercial de uma empresa, e a meio da manhã pedem-me para adiar a auditoria para o fim do dia porque um cliente deles queria apresentar a fábrica a um representante de uma marca de moda internacional muito conhecida e que compra grandes quantidades.

O que resta? O foco no cliente - "Relações, sofisticação e co-criação", procurar subir na escala de valor apostando nos clientes mais sofisticados para desenvolver a co-criação.

Até porque algures no tempo, os que vão receber a Greta de manhã, para depois acabar o dia na Primark, vão perceber que algo não bate certo. Sim, "Are you prepared to walk the talk?"

Esta última é a minha preferida, porque foge do crescimento canceroso, mas estratégia não é ciência, estratégia é coração (um sacrilégio para os membros da tríade): estratégia é sobre aquilo em que se acredita. Por isso, reconheço aos empresários a autoridade para decidirem em cada caso qual o quadrante em que acham que a sua empresa pode ter futuro. Desde que a seguir não venham pedir apoios se as coisas correrem mal.

E acabo como nunca pensei ao começar este texto. Acabo com Valikangas:
"Life is the most resilient thing on the planet. I has survived meteor showers, seismic upheavals, and radical climate shifts. And yet it does not plan, it does not forecast, and, except when manifested in human beings, it possesses no foresight. So what is the essential thing that life teaches us about resilience?
Just this: Variety matters. Genetic variety, within and across species, is nature's insurance policy against the unexpected. A high degree of biological diversity ensures that no matter what particular future unfolds, there will be at least some organisms that are well-suited to the new circumstances."

sábado, novembro 23, 2019

Especulação sobre mais um falhanço da automatização

Ao longo dos anos tenho aqui deixado exemplos acerca das limitações da automatização da produção em massa, quando o mundo económico caminha para mais diversidade.

Assim, os exemplos que cito mais vezes são o da Toyota e o da Mercedes. Recentemente, encontrei o exemplo da Adidas (embora a coisa ainda não esteja bem explicada). Fazem-me lembrar o caso recente de uma conversa com um empresário. Alguém que pensava e que não era nenhum burgesso:
  • Via cada vez mais variedade, mais referências nas encomendas;
  • Recebia cada vez mais encomendas, mas mais pequenas; 
  • Continuava a procurar gerir a sua empresa com base em indicadores de eficiência.
Ou seja, tinha os clientes a deslocarem-se num sentido, mas ele continuava a gerir a empresa à maneira do século XX.

Quando o mercado exige mais variedade, a gestão tem de abandonar os cânones do século XX e em vez de continuar prisioneira do lado direito da figura abaixo, pensar em transitar para o seu lado esquerdo:
Agora fazer figura do vermelho abaixo é que não dá:
Stuck-in-the-middle ao tentar ser tudo para todos. Espero que tenha apanhado a ideia de Skinner e da plant-within-the-plant.

Assentemos ideias - automatização e Mongo, a metáfora que uso para descrever o mundo económico para onde caminhamos, não são incompatíveis. O que é incompatível é tentar usar a automatização em produções que não são em massa, com a abordagem da produção em massa. A automatização é fantástica para apoiar um artesão, ou uma cooperativa de artesãos, ou uma pequena unidade produtiva de artesãos. O que as empresas grandes fazem é tentar esticar a produção em massa para além do seu prazo de validade e dá suckiness

O que as empresas grandes fazem é rejeitar o futuro, porque continuam agarradas ao passado. Por exemplo, a VW, à boa maneira alemã, ao contrário do empresário lá em cima que aceita tudo, analisa e rejeita o que não se encaixa no seu modelo de negócio: depois, arrepende-se.

Entretanto, ontem tiveram a atenção de através de um tweet ... 
... me fazerem chegar este texto "Boeing abandons its failed fuselage robots on the 777X, handing the job back to machinists" (engraçado, passei o dia a trabalhar via iternet com alguém em Seattle. Força Brett):
"After enduring a manufacturing mess that spanned six years and cost millions of dollars as it implemented a large-scale robotic system for automated assembly of the 777 fuselage, Boeing has abandoned the robots and will go back to relying more on its human machinists.
.
Boeing said Wednesday it is adopting a different approach that “has proven more reliable, requiring less work by hand and less rework, than what the robots were capable of.”
...
The automation has never delivered its promise of reduced hand labor and Boeing has had to maintain a substantial workforce of mechanics to finish the work of the robots. Because of the errors in the automation, that often took longer than if they had done it all by hand from the start. Boeing said Wednesday there are no planned changes in total staffing."
Interessante que me apetece especular e dar uma sugestão que não tem nada a ver com o que escrevi acima acerca da variedade. Quem é o cliente da linha de montagem da Boeing? A Boeing! A customização não deve ser o problema aqui, até porque a palavra que sublinho acima é "rework". A Toyota e a Mercedes abandonaram os robots não por causa do rework, mas por causa do tempo necessário para voltar a produzir, tempo para afinar e introduzir novos parâmetros.

Como a Boeing é americana, como a Boeing me tem dado vastos exemplos, ao longo dos anos, de sofrer da doença algo-saxónica, a doença da tríade, a doença do século XX. Caricaturando a situação, aquilo deve ser gerido por clones de Kevin O'Leary.

O que me parece mais provável neste caso é outro tema que já apanhei num projecto:
  • Empresa avança para automatização, para reduzir custos porque a gerência só vê custo, custo, custo;
  • Empresa monta robots na produção, mas continua a comprar a matéria-prima como sempre comprou;
  • A matéria-prima barata, sem ser defeituosa, tinha grande variabilidade na espessura, algo que os humanos em conjunto com as máquinas dos anos 70, resolviam rapidamente com a introdução ou retirada de um componente auxiliar;
  • A matéria-prima barata continuou a ser comprada para ser usada com os robots e diferenças de 1 cm ou mais eram a morte do artista. A produção estava sempre a parar porque o lase do robot ou não encontrava o material que era suposto encontrar, segundo o desenho, ou encontrava material numa outra posição tridimensional... asneira: paragem; ou rework, ou scrap! Produtividade é que não.
Aposto que a automatização bem sucedida da Boeing obrigaria a diferentes exigências para o aço comprado... isso implicaria aço mais caro... pois, Total Value Ownership.

sábado, novembro 09, 2019

Salário mínimo, produtividade, motivação/malandragem e desemprego (parte II)

Parte I.

Como referi no final da parte I vou comentar a segunda parte do último "Think Tank" dedicado ao tema da produtividade (a partir do minuto 33).

A conversa começa com Jorge Marrão a dar um exemplo que não é nenhuma mentira, mas é tipo: com a verdade me enganas. A maioria das empresas em Portugal já não está aí.

Jorge Marrão conta que há anos foi à China e, esteve num hotel que pertence a uma cadeia de hotéis que também está em Portugal. Uma mesa para almoçar era servida por 5 funcionários na China e por 1 funcionário em Portugal. Claro que a produtividade em Portugal era muito superior à chinesa. Admitindo que o numerador era o mesmo nos dois países, o valor ganho com a venda do serviço de almoço, e que o denominador era mais pequeno em Portugal do que na China porque só se pagava um salário e não cinco, admitindo que o salário chinês não fosse demasiado baixo. Jorge Marrão explica que na China eram 5 funcionários porque tinham pouca formação.

Ao minuto 36'37'' Jorge Marrão volta a enganar-nos com a verdade (e atenção eu gosto de o ouvir e comungo de muitas das suas ideias, embora ele sofra um pouco da doença anglo-saxã, a mesma da tríade) - aumentar a produtividade traz um problema para a sociedade porque mais produtividade requer menos gente.

Qual é o problema deste argumento de Jorge Marrão? É o famoso, aqui no blogue, argumento dos engenheiros, quem o usa assume uma constante, algo que não pode mexer, algo em que nem pensa mexer, o numerador, assume que o que se faz é constante. Assim, a única opção que há é mexer no que é variável, ou seja, no denominador. Por exemplo, no número de trabalhadores necessários para produzir a mesma quantidade de output. Esta abordagem não está errada. No entanto, condena-nos a melhorias da produtividade de caca. Por causa do gráfico de Marn e Rosiello:


E por causa dos low hanging fruits já terem sido todos colhidos.

Acham que é assim que colmatamos este gap brutal com o resto da Europa?
(a amarelo Portugal, a laranja a UE28, a verde a zona euro)

Ao minuto 39' entra Joaquim Aguiar e não podia entrar melhor:
"Mais produtividade não é menos custos nem mais esforço."
A meio do minuto 40' Joaquim Aguiar desvia-se do essencial para dar o exemplo da Autoeuropa em Palmela. Diz Joaquim Aguiar, algo que não é novidade, a unidade da Autoeuropa é unidade mais produtiva de todo o grupo VW. Porque é que digo que Joaquim Aguiar se desvia do essencial? Começou por fazer-nos intuir que ia abordar o numerador da equação da produtividade com aquela afirmação que citei e sublinhei, mas depois dá um exemplo da vantagem do denominador. Basta recuar a 2010 neste blogue para ler em "As anedotas":
"Conseguem encontrar fábricas gémeas, fábricas que fabriquem os mesmos produtos em Portugal e na Alemanha?
.
Há uma que salta logo à vista, a AutoEuropa.
.
No caso da AutoEuropa, aposta que a produtividade portuguesa é, ou semelhante, ou superior às fábricas congéneres da VW na Alemanha (para modelos com a mesma gama de preço).
.
Agora conseguem comparar a produtividade da AutoEuropa com a produtividade de uma unidade que produz a marca Porsche ou a marca Ferrari?
.
Na Ferrari e na Porsche especulo que fabricam menos carros por trabalhador que na AutoEuropa e, no entanto, têm uma produtividade muito superior...
.
Excluindo a indústria automóvel conseguem encontrar outro sector onde fábricas "gémeas" compitam ombro a ombro em Portugal e na Alemanha?
.
Não me recordo... a fazer exactamente o mesmo? Duvido!!!"
Se o numerador estiver bloqueado, a unidade com menores custos é mais produtiva, com as mesmas regras de gestão.

Mas as empresas não estão prisioneiras do denominador. Podem fazer o que os livros de Economia e Gestão nunca falam: mudar de numerador, mudar de output, subir na escala de valor, race to the top em vez de race to the bottom.

Ao minuto 43'40 Jorge Marrão lança um tema que ele não desenvolve no sentido que eu vou sublinhar aqui. Diz ele e bem: Associado ao tema do aumento da produtividade, vem o tema do aumento do salário. Gente com um salário superior, ganha apetência para outro tipo de consumo, o que, segundo ele, cria emprego para os que foram desempregados pelo aumento da produtividade.

O que é que nesta frase de Jorge Marrão me salta à vista?
  • Mais produtividade -> mais salário
  • Mais salário -> procura por coisas novas
Agora especulo:
  1. Se o aumento da produtividade for natural, o aumento da procura por coisas novas será natural, e a comunidade responderá a essa procura crescente com as suas próprias soluções;
  2. Se o aumento da produtividade for forçado, o aumento da procura por coisas novas será mais rápido do que a capacidade da comunidade responder a essa procura crescente, o que fará disparar o desiquilibrio da balanço externa e ... problemas mais cedo ou mais tarde
BTW, reconheço que o argumento de Jorge Marrão acerca do aumento do salário implicar mais procura por coisas novas pode estar um pouco estragado, porque hoje temos os empréstimos bancários generalizados que põem NINJAS a comprar tudo e mais alguma coisa, sem eles próprios criarem a riqueza adequada.

Ao minuto 45'40'' Jorge Marrão volta a encarreirar no lado bom da Força ao associar produtividade a mais receita por trabalhador:
"Não tem a ver com esforço, tem a ver com o que é que aquelas pessoas, naquele posto de trabalho conseguiram capturar de receita, de criação de riqueza"
E então vem o seu momento alto neste programa:
"Ou modificam um bocadinho a forma de trabalhar [Moi ici: actuar sobre o denominador da equação] em que é necessário menos recursos ou aumentam a receita"[Moi ici: Importante, distinguir o numerador, do denominador. Pena que não refira o gráfico de Marn e Rosiello para perceber o quanto o impacte da melhoria do numerador é superior ao da melhoria no denominador]
Logo a seguir Jorge Marrão dá um exemplo concreto. E com exemplos concretos as coisas percebem-se muito melhor (recordo logo o meu parceiro das conversas oxigenadoras a contar a argumentação do filho para explicar o sucesso do PAN: é o nome, só coisas concretas - pessoas, animais natureza).

Vamos imaginar que há 3 empresas num sector e que cada uma tem um terço de quota de mercado:
A empresa A tem uma produtividade de 100.
A empresa B tem uma produtividade de 50.
A empresa C tem uma produtividade de 10.

A produtividade do sector é de 53,3.

Voltemos agora às palavras de Jorge Marrão, adaptadas por mim:
"Se nós eliminarmos a empresa mais improdutiva, a produtividade do sector sobe muitíssimo"
 A produtividade do sector sobe para 75, um salto de mais de 40%

Qual a vantagem de eliminar a empresa menos produtiva? Palavras de Jorge Marrão:
"O salário da empresa menos produtiva no sector serve de referência a todas as empresas do sector, para estabelecer o salário do sector"[Moi ici: Não sei se isto se continuará a verificar numa economia com falta de mão de obra]
Este exemplo final de Jorge Marrão é a aplicação das ideias de Maliranta e de Nassim Taleb que nunca me canso de repetir. Por isso, escrevo aqui há anos: "Deixem as empresas morrer!"

Qual o problema da argumentação de Jorge Marrão? É uma argumentação que faz sentido, mas que é proposta por alguém que não vai sofrer as consequências directas da sua aplicação, sem skin-in-the-game. Reparem na diferença:
  • Eu - Deixem as empresas morrer
  • Jorge Marrão e muitos outros neste último ano - Temos de eliminar as empresas 
E Nassim Taleb aqui serve-me de farol:
Don’t take advice from those who are not at risk” for the consequences of their advice"
Quais as consequências da abordagem TEMOS DE ELIMINAR AS EMPRESAS MAIS IMPRODUTIVAS!
  • Desemprego de pessoas concretas;
  • Como o encerramento não é natural, mas induzido artificialmente, não há criação natural de unidades novas a ritmo suficiente para absorver os desempregados. Daí este remate no final deste postal:
"Por cá, politicamente a prioridade é a distribuição. Ao menos, podiam facilitar as condições para que capital estrangeiro investisse no país."
Recordo "Produtividade e socialismo (Parte II)"
"Dá para ficar a pensar muito seriamente na incapacidade das transferências inter-sectoriais gerarem uma massa crítica relevante para o país. A alternativa poderia passar por investimento directo estrangeiro para promover transferências inter e intra-sectoriais com a entrada de novos players.
Só que o campeonato nessa liga não é para amadores:"

BTW, Jorge Marrão desmistifica algo que já critiquei aqui várias vezes, a crença de que subidas fantásticas na produtividade são incompatíveis com trabalhadores com poucas qualificações escolares. Jorge Marrão dá o exemplo das empresas alemãs em Portugal (Bosh?): Basta um pouco de formação básica. O meu clássico: sexta-feira deixa de ser costureira numa fábrica de T-shirts e segunda-feira começa a trabalhar como costureira numa unidade de confecção de air-bags. Imaginem o salto brutal na produtividade daquela pessoa. O velho tema da caridadezinha (2014, 2008)

Para registo recordo Janeiro de 2019 e Agosto de 2009.

Claro que os "espertos" riem-se de nós todos.

segunda-feira, junho 10, 2019

"it is the apparently pointless thing that makes the system work"

“When Downton Abbey first appeared in 2010, a British newspaper interviewed a nonagenarian aristocrat to ask her whether it faithfully reproduced her memories of the pre-war British country house. ‘Well there’s one thing it doesn’t tell you,’ she explained. ‘Back then, the servants literally stank.’ And in the early twentieth century, when it was proposed to install baths for the undergraduates in one Cambridge college, an elderly fellow was having none of this: ‘What do the undergraduates need baths for? The term only lasts eight weeks.
.
What had caused this spectacular change in behaviour was complicated, but it was driven as much by unconscious status-seeking as by a conscious effort to improve life expectancy. Soap was sold on its ability to increase your attractiveness more than on its hygienic powers, and while it contained many chemicals that improved hygiene, it is worth remembering that it was also scented to make it attractive – supporting the unconscious promise of the advertising rather than the rational value of the product. The scent was not to make the soap effective, but to make it attractive to consumers.If we are in denial about unconscious motivation, we forget to scent the soap. If we adopt a narrow view of human motivation, we regard any suggestion of scenting the soap as silly. But, like petals on a flower, it is the apparently pointless thing that makes the system work.”

Excerto de: Rory Sutherland. “Alchemy”. Apple Books.

domingo, junho 09, 2019

Vou apenas especular (parte II)

Leio "Sonae Indústria vai fechar mais uma fábrica na Alemanha" e recuo mais de quatro anos, até Fevereiro de 2015, e ao texto "Vou apenas especular".

Falta uma dose de alquimia, "Alchemy: Or, the Art and Science of Conceiving Effective Ideas That Logical People Will Hate" segundo Rory Sutherland, ou uma dose de paixão, ou como diria o amigo Paulo Vaz, uma dose de optimismo não documentado. Há demasiados mordomos de Gondor à solta.

sexta-feira, maio 24, 2019

Mongo e magia (parte VII)

Parte I , parte II, parte IIIparte IVparte V e parte VI.

“GPS devices know everything about what they know and nothing about anything else.
...
The reason we don’t always behave in a way which corresponds with conventional ideas of rationality is not because we are silly: it is because we know more than we know we know.
...
The trouble with market research is that people don’t think what they feel, they don’t say what they think, and they don’t do what they say.’ Trivers and Kurzban explained the evolutionary science behind that conundrum: we simply don’t have access to our genuine motivations, because it is not in our interest to know.
...
Evolution does not care about objectivity – it only cares about fitness.
.
If it helps us to perceive the world in a distorted fashion, then evolution will limit our objectivity. The standard, naïve view, as Trivers observes, is to assume that evolution has given us senses which deliver an accurate view of the world. However, evolution cares nothing for accuracy and objectivity: it cares about fitness.
...
For a business to be truly customer-focused, it needs to ignore what people say. Instead it needs to concentrate on what people feel."

Trechos retirados de "Alchemy: Or, the Art and Science of Conceiving Effective Ideas That Logical People Will Hate" de Rory Sutherland.

sábado, maio 18, 2019

Mongo e magia (parte IV)

Parte I , parte II e parte III.

Há anos que falo da tríade e do seu foco no eficientismo, os encalhados.

“In theory, you can’t be too logical, but in practice, you can. Yet we never seem to believe that it is possible for logical solutions to fail. After all, if it makes sense, how can it possibly be wrong?
...
Highly educated people don’t merely use logic; it is part of their identity. When I told one economist that you can often increase the sales of a product by increasing its price, the reaction was one not of curiosity but of anger.
...
This book is not an attack on the many healthy uses of logic or reason, but it is an attack on a dangerous kind of logical overreach, which demands that every solution should have a convincing rationale before it can even be considered or attempted.
...
We could never have evolved to be rational – it makes you weak.
...
A rational leader suggests changing course to avoid a storm. An irrational one can change the weather.
...
If you are wholly predictable, people learn to hack you."
Por que é que tantos académicos e comentadores previram o fim das PMEs? (recordar aqui e aqui, por exemplo) Porque o enquadramento lógico, o seu modelo ambiental, impedi-os de ver, ou de suspeitar que existiam alternativas. Quem as descobriu? Os livres de modelos mentais castradores (recordar aqui), os ignorantes e a sua vantagem (recordar aqui).
“Evolution, too, is a haphazard process that discovers what can survive in a world where some things are predictable but others aren’t. It works because each gene reaps the rewards and costs from its lucky or unlucky mistakes, but it doesn’t care a damn about reasons. It isn’t necessary for anything to make sense: if it works it survives and proliferates; if it doesn’t, it diminishes and dies. It doesn’t need to know why it works – it just needs to work.”
Trecho retirado de "Alchemy: Or, the Art and Science of Conceiving Effective Ideas That Logical People Will Hate" de Rory Sutherland.


quinta-feira, maio 16, 2019

Mongo e magia (parte II)

Parte I.
“There is a simple premise to this book: that while the modern world often turns its back on this kind of illogic, it is at times uniquely powerful. Alongside the inarguably valuable products of science and logic, there are also hundreds of seemingly irrational solutions to human problems just waiting to be discovered, if only we dare to abandon standard-issue, naïve logic in the search for answers.
...
Engineering doesn’t allow for magic. Psychology does.
.
In our addiction to naïve logic, we have created a magic-free world of neat economic models, business case studies and narrow technological ideas, which together give us a wonderfully reassuring sense of mastery over a complex world. Often these models are useful, but sometimes they are inaccurate or misleading. And occasionally they are highly dangerous.
We should never forget that our need for logic and certainty brings costs as well as benefits. The need to appear scientific in our methodology may prevent us from considering other, less logical and more magical solutions, which can be cheap, fast-acting and effective. The mythical ‘butterfly effect’ does exist, but we don’t spend enough time butterfly hunting.”
Para quem conhece este blogue e consegue recordar o conceito de tríade, um marcador que nasceu em Outubro de 2011 e que foi referido pela primeira vez no texto:
"Podemos começar a listar os académicos, paineleiros e políticos portugueses (a tríade) que não conhecem alternativa ao preço mais baixo e aos salários baixos)"
Para quem conhece este blogue e consegue recordar o conceito de Muggles, gente que não conhece a magia, "Temer o pior sempre que os Muggles se metem". Marcador nascido em Julho de 2011.


Trecho retirado de "Alchemy: Or, the Art and Science of Conceiving Effective Ideas That Logical People Will Hate" de Rory Sutherland.

segunda-feira, maio 13, 2019

Mongo e a magia

Ao folhear o livro apanhei com esta lista memorável:
“Rory’s Rules of Alchemy
.
The opposite of a good idea can also be a good idea. [Moi ici: Como não relacionar com o teste do algodão de uma estratégia - "and it's not stupid"]
Don’t design for average.  [Moi ici: Como não relacionar com "Justin Bieber e o preço da diferença" - na semana passada usei esta estória de 2010 duas ou três vezes ]
It doesn’t pay to be logical if everyone else is being logical. [Moi ici: Como não relacionar com a segunda lei da teoria dos jogos "Rational choice, chosing a dominant strategy, can lead to outcomes that suck"]
The nature of our attention affects the nature of our experience.
A flower is simply a weed with an advertising budget.
The problem with logic is that it kills off magic.  [Moi ici: Como não recordar a tríade e a sua incapacidade de ver o poder da magia... chamo-lhes de Muggles]
A good guess which stands up to observation is still science. So is a lucky accident. [Moi ici: Como não recordar "A vantagem dos ignorantes"]
Test counterintuitive things only because no one else will.
Solving problems using rationality is like playing golf with only one club.
Dare to be trivial.
If there were a logical answer, we would have found it.”
Trecho retirado de "Alchemy: Or, the Art and Science of Conceiving Effective Ideas That Logical People Will Hate" de Rory Sutherland.

segunda-feira, abril 01, 2019

"Warns of Margin Threat as Niche Brands Disrupt Industry" (parte II)

Há um mês a parte I.

Agora, outro texto sobre os nichos e sobre o seu poder em "Niche is the New Black in China’s Luxury Landscape":
"Over the last few years, a quiet but steady shift has been taking place among Chinese luxury shoppers. Big logos are no longer a priority, and in their place, niche high-end labels and boutique products have been reshaping the retail landscape and are now becoming the new signifiers of luxury consumption.
.
This swing has been propelled by changes within the market itself, which has become younger and increasingly more sophisticated.
...
they’re also looking for authenticity, originality, and a sense of personality. Niche brands often capture all that.”
...
“The smaller you are the easier it is to have a one-to-one conversation,” she said. “As a niche brand, you have to be better than the larger brands at placing the consumer first. [Moi ici: Trabalhar para a miudagem versus trabalhar com o Miguel ou Maria] The more consumer-centric the better. The other very important attribute of being niche is the team you build and how their passion translates into a more special experience for the consumer. [And then there is] the power of the consumers themselves. They have become our most important ambassadors. From the day they discover us, they learn and engage until they become part of who we are.”
...
“Many of the major brands have started looking similar, and innovation has slowed,” she explained, “while smaller labels are offering something novel and exciting to the market. They have a story to share and are captivating customers with that story or journey. Shoppers want more, and niche brands are able to connect on an intimate level with them.” [Moi ici: Este sublinhado final faz-me lembrar este postal ""-Tu não és meu irmão de sangue!""]

sábado, março 02, 2019

Como aumentar a facturação quando não se pode aumentar a produção por falta de pessoas?

Como relacionar "Falta de mão de obra desespera empresas" e esta série "O que aí vem! (parte II)" e parte I, com "O que são os custos de oportunidade" e estes canários na mina (""Warns of Margin Threat as Niche Brands Disrupt Industry""; ""profecia fácil do "hollowing", ou "radioclubização", de como uma marca forte e genuína se transforma numa carcaça, num aristocrata arruinado, fruto de deixarem os muggles à solta""; ""Giants invariably descend into suckiness" (parte XIII)" e "Será o efeito de Mongo?"

E ainda aquele sublinhado de "Acerca da Micam"?

Cada vez mais sinais de que a ascensão dos nichos, o avanço de Mongo, começa a fazer mossa no modelo paradigmático do século XX, o trabalhar para o interior da caixa da normalidade onde estava a maioria dos clientes: o Normalistão:
Em Mongo, também chamado de Estranhistão, a maioria das pessoas não quer ser tratada como plancton, e há que trabalhar para todo o espectro de clientes/nichos porque há cada vez mais gente fora da caixa da normalidade:
A demografia por um lado, e a fiscalidade e o assalto das gerações mais velhas ao bolso das mais novas por outro (ainda esta semana li "Cerca de 90 mil portugueses emigraram em 2017" - lembram-se disto ser motivo de rasgar de vestes no tempo da troika) vão criar um desafio para as empresas: como aumentar a facturação quando não se pode aumentar a produção por falta de pessoas?

Ou subir na escala de valor, ou mudar de ramo, ou deslocalizar para África.

Continua.

sexta-feira, março 01, 2019

"Warns of Margin Threat as Niche Brands Disrupt Industry"

Isto é um bálsamo para o autor deste blogue porque vem suportar as suas ideias à revelia do mainstream e da tríade. Recordar "profecia fácil do "hollowing", ou "radioclubização", de como uma marca forte e genuína se transforma numa carcaça, num aristocrata arruinado, fruto de deixarem os muggles à solta"
"Shares in Beiersdorf dropped more than 10 percent on Wednesday after the maker of Nivea skin cream warned that its operating margin would fall in 2019 as it invests to compete with niche brands that are disrupting the sector.
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Beiersdorf was the latest consumer goods company to reset profit expectations for 2019 after German rival Henkel and Colgate-Palmolive last month, and following Kraft Heinz's write-down last week.
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the future of mass-market labels was being challenged by the rise of small, disruptive brands as consumers increasingly expect more personalised products and services."
 Basta recordar os artigos relacionados com os marcadores até em baixo. Como não relacionar aquele "expect more personalised products and services" com a metáfora do plankton... a vida está difícil para a suckiness dos gigantes: "Mongo, micro-marcas, plancton, suckiness e emprego"

Trechos retirados de "Nivea Maker Warns of Margin Threat as Niche Brands Disrupt Industry"

terça-feira, fevereiro 26, 2019

"profecia fácil do "hollowing", ou "radioclubização", de como uma marca forte e genuína se transforma numa carcaça, num aristocrata arruinado, fruto de deixarem os muggles à solta"

No postal anterior abordámos o tema da quebra da procura do fast-fashion e uma certa aposta na qualidade.
"People are moving away from poorly made, inexpensive fashion items.
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Payless was the shoe equivalent of fast fashion. The brand was not known for the quality or durability of its product, but competed largely on price."
Recordar, "Para reflexão pelos empresários do calçado e do têxtil":
"Dá que pensar no potencial impacte numa série de modelos de negócio baseados no fast-fashion... ou no low-cost."
Entretanto perante este descalabro:

Encontro, "The Lesson Of The Kraft Heinz Nosedive: Radical Cost-Cutting Is Out, Brands Are Back":
"Marketing budgets became a key target for the frugality drive of companies ever since the last recession. [Moi ici: Como é a memória... faz-me recordar qualquer coisa que li em 2007 sobre as marcas do FMCG... cá está, Kumar] Last year, budgets had decreased from 12.1% of average revenues in to 11.3% the previous year, according to consulting firm Gartner.
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Predictably, with a focus on cost-cutting rather than growth, the financial health of corporate America is deteriorating. According to an analysis of the 2017 Fortune 500, 53% of corporates had experienced an after-tax profit decline, while only 47% saw profit growth. Marketing, once the driving force of America’s consumer society, has been in retreat for over a decade
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The 3G Capital approach to business is ruthless and revolves around cost-cutting. Every employee must justify his existence every single day. Promotions are quick and merit-based, and underperformers get fired with the same alacrity. Budgets are zero based and evaluated unsparingly every year, or even sometimes with more frequency. Expenses are eliminated if they’re no longer judged worth incurring.[Moi ici: Oranges, como classificaria Laloux. A receita da tríade, e a paranoia do eficientismo]
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In less than two years after merging Kraft with Heinz, its workforce was cut by 20% and overhead by 40%. Critics have long contended that 3G Capital’s cost-cutting went too far and came at the expense of growth. They turned out to be right. The problem with this philosophy is that you can’t cost-cut your way to growth.
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Not surprisingly, what followed is sales declined for six quarters in a row. The wheels came off last Friday morning when Kraft Heinz stock dropped 30% at the open and the company lost $16 billion of its market value. The essential problem facing Kraft Heinz is that it stopped investing in its brands at a time when consumer tastes and behaviors are shifting, and the competitive environment is intensifying. [Moi ici: Seria interessante relacionar a #G Capital e as ideias Itamar Simonson]
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It is time for companies to refocus on growth by investing in marketing, distribution and continued innovation, not adhere to a strategy of frugality alone.
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Brands are more important than ever, as the world has come online and there are many new markets and a growing middle class in places like India, China, Brazil, Russia, South Africa, Nigeria, Indonesia, Turkey or Mexico. These consumers buy brands, not commoditized products. They buy premium brands. And branding is essential to differentiate itself in a world of parity and, in order to create brand preference.
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Remember, brands do better in tough times compared to unbranded products and brands outlive product cycles."
O que escrevi sobre a ideia de Simonson: o fim das marcas:


Recordar também os marcadores hollowing, radio clube, muggles, eficientismo e tríade. Por exemplo, acerca das marcas ocas:






domingo, novembro 25, 2018

Uma tolice!

Microeconomics is based on a demonstrably false assertion: “The rational agent is assumed to take account of available information, probabilities of events, and potential costs and benefits in determining preferences, and to act consistently in choosing the self-determined best choice of action,” says Wikipedia.
Of course not.
Perhaps if we average up a large enough group of people, it’s possible that in some ways, on average, we might see glimmers of this behavior. But it’s not something I’d want you to bet on.
In fact, the bet you’d be better off making is: “When in doubt, assume that people will act according to their current irrational urges, ignoring information that runs counter to their beliefs, trading long-term for short-term benefits and most of all, being influenced by the culture they identify with.”You can make two mistakes here:
Assume that the people you’re seeking to serve are well-informed, rational, independent, long-term choice makers.
Assume that everyone is like you, knows what you know, wants what you want.
I’m not rational and neither are you.”
Aqueles a que me habituei a chamar de tríade, ou de Muggles, acreditam piamente num mundo económico baseado na racionalidade. Uma tolice!

Trecho retirado de “This Is Marketing” de Seth Godin

domingo, outubro 28, 2018

Cuidado com o poder que damos aos da nossa cor


No último postal, "A abominação da eficiência - o anti-Mongo (parte I)", no texto que cito, o autor fala das organizações "Orange":
"This is the worldview of the scientific and industrial revolutions. At this stage, the world is no longer seen as a fixed universe governed by immutable rules of right and wrong. Instead, it is seen as a complex clockwork, whose inner workings and natural laws can be investigated and understood.
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This worldview dominates management thinking today; it is the (often unconscious) perspective that permeates what is taught in business schools across the world.
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Achievement-Orange thinks of organizations as machines. The engineering jargon we use to talk about organizations reveals how deeply (albeit often unconsciously) we hold this metaphor. We talk about units and layers, inputs and outputs, efficiency and effectiveness, pulling the lever and moving the needle, information flows and bottlenecks, re-engineering and downsizing. Leaders and consultants design organizations; humans are resources that must be carefully aligned on the chart, rather like cogs in a machine; changes must be planned and mapped out in blueprints, then carefully implemented according to plan. If some of the machinery functions below the expected rhythm, it’s probably time to inject some oil to grease the wheel with a “soft” intervention, like a team-building exercise. The metaphor of the machine reveals how much Orange organizations can brim with energy and motion, but also how lifeless and soulless they can come to feel."
Claro que a visão "Orange" representou um salto face às visões anteriores e trouxe-nos coisas muito importantes e úteis. No entanto, trouxe-nos Magnitogorsk, trouxe-nos Metropolis, trouxe-nos a paranoia pela eficiência e crença absoluta na razão. Pessoalmente, posso dizer que o momento em que a semente que minou a minha devoção cega pelo mundo "Orange" foi posta na minha cabeça foi aquando do choque de ver num filme de entretenimento (Indiana Jones), que um coração humano retirado de um corpo e segurado por um sacerdote de Khali, continuava a pulsar.

Ao longo destes anos tenho chamado muitos nomes a esta gente que se governa exclusivamente pela razão, quase sempre macro-economistas que querem explicar o mundo com fórmulas matemáticas, tríade, encalhados, jogadores amadores de bilhar, muggles ... Um desses encalhados, José Reis mereceu este postal em Janeiro de 2011, "Retrato de um encalhado". Os encalhados, como vêem o mundo como uma máquina, planeiam tudo e estão impreparados para as consequências, para as respostas do mundo, porque o mundo não é uma máquina, porque o mundo não é explicável pela física newtoniana. O mundo é um ser vivo, e o que funciona hoje, falha amanhã ponto.

Os políticos socialistas, chamem-se eles Paulo Portas, ou Jerónimo & Martins, acham que o mundo é uma máquina sobre a qual se podem lançar leis e regras impunemente. O que me mete mais medo em qualquer político é a falta de medo pelas consequências, é a ideia de que se sabe tudo e se estudou tudo. Lembram-se dos tipos do leite? O exemplo do leite devia ser bombardeado a toda gente neste país, "Karma is a bitch!!! Ou os jogadores de bilhar amador no poder!" Organizações de produtores de leite, muito preocupadas com as importações de leite, defenderam e pressionaram para que fossem criadas leis que deram cabo da capacidade exportadora do sector. Estavam tão preocupados com as importações de leite que quiseram que os portugueses tivesse a origem do leite na embalagem, para saber que estavam a comprar leite francês ou alemão. Trouxas, esqueceram-se que Portugal exportava muito mais leite do que aquele que importava. Os espanhóis, grandes consumidores de leite português sem o saberem, começaram a preferir leite espanhol, ainda que mais caro (suponho), porque agora podem ver a origem na embalagem. Imaginem, façam o paralelismo para o à vontade com que se legisla sobre tudo e um par de botas sem pensar nas consequências, sem pensar nas "unintended consequences".

Conseguem recuar no tempo e recordar o espírito do tempo acerca da competitividade portuguesa? Lembram-se do que diziam os os membros da tríade (académicos, paineleiros, jornalistas) sobre a competitividade portuguesa? Lembram-se dos apelos à saída do euro, dos apelos ao proteccionismo? Não se lembram? Recordem estes 25 cromos! E lembram-se sobre o que aqui escrevíamos no tempo de Sócrates a 2 de Janeiro de 2011 sobre as PME e a competitividade da economia portuguesa? Acham-me um socratista?


Todos devíamos ter mais cuidado com a quantidade de poder que deixamos os políticos terem sobre a nossa vida pessoal e comunitária. Mesmos os mais bem intencionados atiram-nos barras de dinamite com a mecha acesa.

Os da nossa cor estão no poder e, por isso, concordamos que mais poder lhes seja atribuído. Quando os da cor dos outros chegam ao poder ficamos com medo do poder que eles agora têm, e vice versa.

Trechos retirados de Laloux, Frederic. "Reinventing Organizations: An Illustrated Invitation to Join the Conversation on Next-Stage Organizations"

terça-feira, maio 29, 2018

Cuidado com o que propõe às PME

Recordar o que escrevo há anos e anos sobre a diferença entre as PME da micro-economia e as empresas grandes:

Entretanto, em "Product Innovation Processes in Small Firms: Combining Entrepreneurial Effectuation and Managerial Causation" encontro:

"Prior research poses a puzzle about small firms’ innovation processes. On the one hand, an extensive body of research on new product development (NPD) has identified benefits of a formalized process, with well-planned activities and decision points: a formal product innovation process is considered part of NPD best practice. On the other hand, case study evidence suggests that small firms seldom use such formalized process structures.
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most product innovation management research has focused solely on large firms, or has failed to distinguish between large and small firms
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this study shows that the effectual approach suits small firm characteristics, even though it differs from mainstream best practices that are based largely on research in larger firms. This suggests that product innovation research should explicitly differentiate on firm size, rather than prescribing large firm best practices to small firms.
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Small firms are not miniature versions of large firms, and their characteristics constitute particular strengths and limitations for product innovation. A key strength of small firms is flexibility: they usually lack bureaucracy, are often managed by an owner/director who is able to take key decisions quickly, enjoy efficient and informal internal communication patterns, and develop strong relationships with customers. These characteristics enable rapid responses to technical and market changes, often resulting in differentiated products for niche markets.
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On the downside, small firms have limited resources for product innovation projects. Lack of financial resources to cover the costs of innovation was identified as a key barrier in several studies. These constraints exacerbate the risks of innovation for small firms, which cannot sustain many failures. Besides limited financial and other material resources, small firms may lack the skills portfolios of their large company counterparts, especially the organizational and marketing capabilities to exploit new products. Further, a small firm’s position in its industry may constrain prospects to create and exploit innovations because of lack of name recognition, brand credibility, and track record; restricted influence on industry standards; limited network relations with other business and governmental organizations; and inability to defend trademarks or other proprietary resources.
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Furthermore, small firms typically pursue few innovation projects at any one time—maybe just one, or even none at times. Consequently, their experience in product innovation is often limited. With no need to manage a portfolio of innovation projects at the same time and thus no pressure to select among projects to allocate resources, small firms have neither opportunity nor incentive to routinize innovation or formalize NPD stage-gates or selection procedures, as big firms do.
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For example, early market screening and market research, identified as key activities in structured large firm NPD processes, are consistently lacking or poorly executed in small firms.
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These empirical findings undermine the assumption that NPD in small firms should mimic larger firm NPD and adopt large firms’ best practices."

sábado, abril 07, 2018

Mateus XI:25

"Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos."

Pois:
"History teaches that innovation does not come about by central planning. If it did, Silicon Valley would be nearer to Moscow than to San Francisco. Working on thousands of projects has taught us a simple but critical element that every team or company should come to expect: the unexpected.
Chance offers insights you didn’t anticipate. It’s a well-accepted truth that inventions and discoveries often result from random accidents or experiments that went awry."

É isto que falta à tríade.

Trecho retirado de "The Art of Innovation" de Tom Kelley

quarta-feira, abril 04, 2018

Anónimo engenheiro da província, mas à frente

Ontem a meio da tarde fui ao Twitter e não resisti a escrever:


Esta operação em circuito fechado, gera respostas absurdas para desafios novos. Como não recordar Napoleão:
"Napoleon said: To understand someone, you have to understand what the world looked like when they were twenty." 
Como não recordar Zapatero.

E volto ao postal "Mas claro, eu só sou um anónimo engenheiro da província" de Maio de 2013 sobre os Encontros da Junqueira.

Pensem bem no significado, no alcance e no impacte deste fenómeno: em Maio de 2013 elite que pensa em e a Economia em Portugal continuava embrenhada no século XX, continuava a acreditar na validade das hipóteses que venciam aquando da rodagem do filme Metrópolis por Fritz Lang.

Agora, leiam "The End of Scale":
"For more than a century, economies of scale made the corporation an ideal engine of business. But now, a flurry of important new technologies, accelerated by artificial intelligence (AI), is turning economies of scale inside out. Business in the century ahead will be driven by economies of unscale, in which the traditional competitive advantages of size are turned on their head.
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Investments in scale used to make a lot of sense. Around the beginning of the 20th century, the world was treated to a technological surge unlike any in history. That was when inventors and entrepreneurs developed cars, airplanes, radio, and television, and built out the electric grid and telephone system.
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Scale conferred an enormous competitive advantage. It not only lowered fixed costs — it also created a forbidding barrier to entry for competitors. Organizations of all kinds spent the 20th century seeking scale. That’s how we ended up with giant corporations, and universities with 50,000 students, and multinational health care providers.
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This is the basis of economics of unscale. The winning companies in today’s tech surge are companies that profitably give each customer exactly what he or she wants, not companies that give everyone the same thing.
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Thus, scaled companies find themselves beleaguered by unscaled competitors.
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This is a clear indication of what big corporations are facing in an era that favors economies of unscale over economies of scale. Small, unscaled companies can challenge big companies with products or services more perfectly targeted to niche markets — products that can win against mass-appeal offerings. When unscaled competitors lure away enough customers, economies of scale begin to work against the incumbents. The cost of scale rises as fewer and fewer units move through expensive, large-scale factories and distribution systems — a cost burden not borne by unscaled companies.
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Remember, the corporation hasn’t been around forever. [Moi ici: Como bem sublinhou Seth Godin] It was an invention of the Industrial Age and it was created in response to a unique set of conditions. It makes sense that a new set of conditions needs a new structure. Maybe it will look like something that doesn’t yet exist. But surely some kind of unscaled corporation will emerge in the near future."
Pensem mais uma vez na quantidade de enormidades que oposição e situação deitam cá para fora quando ciclo eleitoral após ciclo eleitoral são comandadas por gente sem skin-in-the game. Não resisto a citar Nassim Taleb:
"Son expertos de pega. Un fontanero sabe de fontanería. Un charcutero sabe de jamón serrano. Pero se ha demostrado que los economistas no saben de economía. Ninguno vio venir la crisis, con honrosas excepciones, y fuimos marginados durante años. Pero lo peor de todo: no han aprendido nada de los últimos 10 años.
Dice Taleb que el negocio de la restauración funciona porque son los clientes, y no otros restauradores, quienes deciden qué locales prosperan y cuáles cierran. Lo mismo ocurre con los médicos, que dependen de su buena reputación entre los pacientes. «Y de no matarlos, claro», bromea.
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En cambio, otros sectores, como la Universidad o la burocracia, están «envenenados» porque sus profesionales se evalúan entre ellos mismos, con nula transparencia."

terça-feira, março 06, 2018

Fábricas de criação de encalhados da tríade

Enquanto conduzia na A41 a caminho de Felgueiras ouvi "Want to Kill Your Economy? Have MBA Programs Churn out Takers Not Makers." e ainda me ri duas ou três vezes:
"In fact, getting an MBA has never been a more popular career path. The number of MBAs graduating from America’s business schools has skyrocketed since the 1980s. But over that time, the health of American business has decreased by many metrics: corporate R&D spending, new business creation, productivity, and the level of public trust in business in general.
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There are many reasons for this, but one key factor is that the basic training that future business leaders in this country receive is dictated not by the needs of Main Street but by those of Wall Street. With very few exceptions, MBA education today is basically an education in finance, not business—a major distinction.
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most top MBA programs in the United States still teach standard “markets know best” efficiency theory and preach that share price is the best representation of a firm’s underlying value, glossing over the fact that the markets tend to brutalize firms for long-term investment and reward them for short-term paybacks to investors.
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Business schools by and large teach an extremely limited notion of “value,” and of who corporate stakeholders are.
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“anyone can teach you how to read a P&L [profit-and-loss statement] or value a derivative; those kinds of things have become commoditized.” The bigger challenge is to teach America’s future business leaders how to be curious, humane, and moral; how to think outside the box about problems like funding the research for a new blockbuster drug. And how to be strong enough to stand up to Wall Street when it demands the opposite.
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“The techniques, if you read the Harvard Business School cases, they are all about finding efficiencies, cost optimization, reducing your [product] assortment, buying out competitors, improving logistics, getting rid of too many warehouses, or putting in more warehouses. [Moi ici: CV de encalhado da tríade que anda de braço dado com a mentalidade gringa] It’s all words, and then there’s a sea of numbers, and you read it all and analyze your way through this batch of charts and numbers, and then you figure out the silver bullet: the problem is X. And you’re then considered brilliant.”
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Many of America’s iconic business leaders believe an MBA degree makes you less equipped to run a business well for the long term, particularly in high-growth, innovation-driven industries like pharmaceuticals or technology, which depend on leaders who are willing to invest in the future.
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MBAs are everywhere, yet the industries where you find fewer of them tend to be the most successful.
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The bottom line, though, is that far from empowering business, MBA education has fostered the sort of short-term, balance-sheet-oriented thinking that is threatening the economic competitiveness of the country as a whole."
Pois: