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segunda-feira, março 04, 2024

Leite, tomate e ... turismo, negócios não sustentáveis

Leite, tomate e ... turismo.

No caso do leite e do tomate percebo o que acontece e percebo o efeito pernicioso da intervenção governamental.



Dois negócios que competem pelo preço mais baixo quando não têm vantagem competitiva, ou seja, violam a primeira lei das Teoria dos Jogos: "Do not play a strictly dominated strategy"

Entretanto, no último número do Caderno de Economia do semanário Expresso apanho este título, "Aumento de custos preocupa hotelaria". 

Weird! Aumentam a facturação como nunca, aumentam os preços e as margens como nunca (e ainda bem) mas não conseguem acompanhar os custos?! 

Para mim é um sinal de que o modelo de negócio não é sustentável. Por que não encaram o problema de frente? Por que pedem aos contribuintes que financiem os seus projectos deficientemente suportados pelos seus clientes?


domingo, julho 04, 2021

Dinheiro da UE para financiar modelos de negócio cancerosos...

"Um estudo da Agroges mostra que a fileira de tomate para a indústria tem evoluído "muito favoravelmente" nas últimas duas décadas, tendo "aumentado muito significativamente a sua eficiência, produtividade e relevância" na área do regadio do Ribatejo e Oeste. Um período em que a área de tomate cresceu 27,4% e a produção total aumentou 47,95%. A produtividade foi reforçada em 16,1% e a produção por agricultor cresceu 426,1%. Estamos a falar de uma produção total, em 2019, de 1440 toneladas, produzidas por 367 produtores, numa área total de 14 468 hectares. E que geraram um volume de negócios total de 119 milhões de euros.
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Rendimento em causa Para Manuela Nina Jorge, diretora -geral da Agroges, esta alteração na PAC "irá por em causa o rendimento do agricultor e, a prazo, a sua capacidade de capitalização e de investimento". Sobretudo, quando o custo dos fatores de produção em Portugal, desde a energia aos agroquímicos, são "substancialmente mais altos" do que nos restantes países europeus, o que, já por si, retira competitividade ao setor."

Há anos que escrevo sobre o tomate e sobre as incongruências do sector (2017, 2016, 2014, 2012, 2006).

O texto de 2006 já levantava a mesma interrogação que este acima me levanta: Tanta eficiência, tanta produtividade, tanto crescimento, mas sem o dinheirinho da UE o modelo falha. Interessante, ainda na quinta-feira passada escrevi:

"Quantas vezes empresas recebem apoios e subsídios para inovação e acabam por usar esse dinheiro, sem dolo, como uma forma de reduzir os custos e poder prolongar o modelo de negócio actual por mais um ou dois anos, continuando a competir pelo preço."

Dinheiro da UE para financiar modelos de negócio cancerosos... 

BTW, lembram-se do karma do leite? Preparem-se para o karma do tomate:

"Já Gonçalo Escudeiro, da Federação Nacional das Organizações de Produtores, considera que "ou a UE protege os seus produtores, ou tem de taxar a produção internacional que entra de forma muito agressiva no mercado europeu". A próxima PAC será bastante exigente do ponto de vista ambiental, "e muito bem", defende, mas é preciso garantir que "não seja à custa da perda de competitividade dos produtores europeus". Uma das exigências dos agricultores é que o consumidor possa conhecer a proveniência dos produtos alimentares. "Porque é que se vamos comprar uma peça de roupa esta é obrigada a ostentar a sua origem e uma lata de tomate ou de milho doce ou um pacote de leite não é?", questiona." 

Trechos retirados de "Fileira do tomate teme perda de competitividade com a nova PAC" no Dinheiro Vivo de ontem.

terça-feira, setembro 10, 2019

Os saxões que aguentem!

Se há coisa que me tira do sério é a tentativa de fazer de mim (nós) parvo(s).

Aborrece-me solenemente o uso dos saxões contribuintes para pagar a externalização de problemas por parte de actores económicos.

Numa economia saudável o que acontece quando uma actividade económica não consegue sustentar-se com o fruto das suas operações? Fecha, e os seus recursos são transferidos para outros agentes, dentro da mesma actividade económica ou fora dela, onde supostamente são mais bem utilizados. E é assim que uma economia saudável evolui, daí o aumento da produtividade.

Daí ser adepto do: Querem aumento da produtividade? Deixem as empresas morrer!


Numa pequena economia, habituada a obter apoios e vantagens dos governos de turno, é comum assistirmos a um periódico tocar dos sinos a rebate, seguido do apelo ao actvismo do governo de turno (seja ele de um Capoulas ou de uma Cristas).

A figura que se segue ilustra o arquétipo:


Manifesta-se o sintoma de um problema! E sabem que para mim "stressors are information". Os sintomas podem ser sinais de uma situação conjuntural ou de algo mais estrutural.

O que é que um sistema saudável faz? Desenvolve uma solução interna para o problema. Por exemplo, empresas fecham e o seu espaço competitivo é ocupado por outras mais produtivas. Por exemplo, a empresa muda de produto e/ou de clientes-alvo e/ou de modelo de negócio.

O que é que um sistema doente faz? Sugere a alguém sem skin-in-the-game (a um político que manipula dinheiro impostado aos saxões) que forneça um remédio que evita que os intervenientes tenham de sofrer as dores de parto da sua própria mudança. Como os sintomas são resultado de um qualquer desajuste estrutural a situação repete-se periodicamente. Assim, o risco de uma actividade económica, algo que devia ser específico de cada actor, é transferido para agentes sem voto na matéria, os contribuintes. Desta forma, adia-se a subida na escala de valor de um sector económico, evita-se a pequena mortalidade que não afecta o todo, e vão-se acumulando desequilibrios que acabarão por estoirar quando o político deixar de ter dinheiro para actuar.

Ontem apanhei mais este exemplo:


Segundo o Anuário Estatístico - Portugal 2018, a campanha de produção de tomate em 2018 caiu quase 26% face ao ano anterior sobretudo por causa da diminuição da área instalada. Agora em 2019 temos:
"A Associação Portuguesa de Produtores de Tomate (APPT), filiada na CNA — Confederação Nacional da Agricultura, considera que este é um ano/campanha (até final deste mês de Setembro) com “muitas adversidades para os produtores de tomate para a indústria do Ribatejo”. Dizem estes agricultores que “a difícil situação reclama apoios excepcionais a atribuir pelo Governo e pela União Europeia”.
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No essencial, esta “difícil situação deve-se ao facto de os custos de produção terem aumentado muito nesta campanha — atingem os 7 mil euros por hectare — devido à necessidade de aumentar, e muito, os tratamentos nas terras e plantas invadidas por fungos e outras mazelas, a fim de se evitar a perda da produção”.
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A direcção da CNA diz que “ainda há a esperança de existirem melhorias neste sector. Porém, tendo em conta a gravidade da situação, é necessário que o Governo intervenha para possibilitar o aumento de rendimentos da produção de tomate para a indústria.
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Entre outras medidas, aqueles produtores reclamam a atribuição de ajudas específicas aos pequenos e médios produtores de tomate para a indústria, para os tratamentos fitossanitários desta cultura, assim como apoios para compensar baixas de preços na produção por motivos aleatórios.
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Ainda assim, em geral, os agricultores, “com muito trabalho e com o aumento dos custos de produção devido aos tratamentos frequentes à cultura, acabaram por conseguir produtividades de assinalar, próximas às 100 toneladas de tomate por hectare, mas o preço à produção é que está muito baixo”, realça a CNA. [Moi ici: Portanto, têm de ser os saxões a pagar a incapacidade negocial dos produtores de tomate. Se não compensa, mudem de culturas de produção]
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Aqueles produtores realçam ainda que os custos reais de arrendamento da terra “à campanha”, praticados na zona irrigada mais próxima a Santarém, atingem os mil euros/ano por hectare — na Lezíria Ribatejana mais baixa chegam a dobrar este valor — o que, logo à partida, é um pesado encargo para os “seareiros” (os arrendatários da terra) para este tipo de culturas. [Moi ici: Quer isto dizer que há procura por estes terrenos, se calhar para outro tipo de culturas mais competitivas e ricas]
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Em contrapartida, é cada vez menor o preço final do tomate para a indústria colocado na fábrica de transformação. Nesta campanha, e apesar dos problemas tidos com a cultura, os preços à produção oscilam entre 70 e 85 euros por tonelada, dependendo da qualidade apresentada à entrada da fábrica. [Moi ici: Há aqui qualquer cena que merecia ser bem investigada... desconfio que teremos uma situação semelhante à do leite, uma grande heterogeneidade de produtores. Produtores grandes e eficientes aceitam preços mais baixos e, depois, todos os outros têm de os aceitar. Se os grandes ganham alguma coisa os pequenos nunca conseguem os ganhos de escala e eficiência para conseguirem lucrar.]
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São preços que, repete-se, não compensam os produtores de tomate pelo investimento feito, e ainda menos compensadores são se entrarmos em linha de conta com a valorização do trabalho do agricultor (e família) tido na faina”, acrescenta o mesmo comunicado. [Moi ici: Se não compensam é simples, mudem de culturas, subam na escala de valor e façam pela vida. Não esperem que sejam os outros a suportar as más decisões de gestão]"
Claro que em ano eleitoral isto é trigo limpo, farinha amparo.

Não me admirava nada que por trás disto estivesse a agro-indústria do tomate para que o governo de turno lhe subsidie os produtores para que possa continuar a baixar preços de compra do tomate e gerar lucros cada vez maiores.

Situação estrutural:

quarta-feira, novembro 29, 2017

I see Qimondas everywhere

Mal vi o título, "Portuguesa Sugal bate recorde de produção de tomate e factura mais de 265 milhões", porque sofro o maior castigo que os deuses podem lançar sobre um humano, isto é, ter memória. Cheguei ao Twitter e escrevi:


Depois, fui ao blogue e encontrei:
Guardem uns minutos para reflectir sobre esta empresa que no final de cada ano apresenta sempre estes resultados, mas que na primeira metade de ada ano está sempre a chorar apoios e benesses ao Estado.

domingo, maio 17, 2015

Recordações e proteccionismo espanhol

A "Curiosidade do dia" de ontem, fez-me ir ao meu arquivo do tempo em que não usava o blogue para esse efeito, para procurar um artigo do semanário Expresso de ... já não consigo recuperar a data, talvez de 2005:
Recortava estes artigos, fotocopiava-os e costumava distribuí-los durante as acções de formação e workshops sobre estratégia e balanced scorecard, como matéria-prima para discussão.
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Lembro-me o quão impressionado fiquei com este artigo na altura. Lembro-me de usar a palavra nu. Ele punha a nu uma série de incongruências estratégicas:

  • metade inicial do artigo é utilizada a valorizar a produção de molhos de tomate;
  • depois, em três parágrafos muito curtos o gestor da empresa dizia que o negócio do concentrado de tomate está a passar um mau bocado porque os chineses entraram em campo e baixaram o preço da tonelada de concentrado em 250€;
  • depois, o gestor volta aos molhos e afirma que o futuro do negócio está nos molhos, "São um produto onde é possível uma maior diferenciação e valor acrescentado";
  • por fim, para meu espanto, afirma que a empresa vai apostar no aumento da produção de concentrado, para duplicar a capacidade...
Usava este texto para salientar a necessidade de trade-offs, e a dificuldade de conciliar no mesmo espaço produtivo quantidade comoditizada e diferenciação.
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No entanto, ontem à noite, ao reler o texto surgiu-me outra leitura, mesmo no final do artigo:
"A protecção espanhola aos produtos nacionais impede, por outro lado, que a Italagro forneça a Telepizza.
"Gostávamos de a ter como cliente, mas é muito difícil. Já apresentámos várias propostas mas acabam por ganhar os espanhóis", justifica."
Há milhares de anos que oiço esta conversa acerca do proteccionismo espanhol e sempre desconfiei dela. Sempre perguntei:
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- Os espanhóis não gostam de ganhar dinheiro?!
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E lembrei-me do artigo citado ontem, "5 Myths of Selling Value to Procurement":
"Myth #1 – All procurement cares about is price."
E pensei...
- E se a Italagro sempre tivesse apresentado propostas com o preço mais baixo e mais nada?
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E a minha mente recuou um ano até este artigo "The Trouble With IBM", as coisas que a mente consegue arquivar!!! Por causa deste trecho:
"Amazon beat IBM for a plum contract on something like its home turf, and it hadn’t done so simply by undercutting IBM on price. IBM learned that its bid was more than a third cheaper than Amazon’s and officially protested the CIA decision.
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It would have been better to walk away. As the Government Accountability Office reviewed the award, documents showed the CIA’s opinion of IBM was tepid at best. The agency had “grave” concerns about the ability of IBM technology to scale up and down in response to usage spikes, and it rated the company’s technical demo as “marginal.” Overall, the CIA concluded, IBM was a high-risk choice. In a court filing, Amazon blasted the elder company as a “late entrant to the cloud computing market” with an “uncompetitive, materially deficient proposal.”"
Quando ouvimos empresas portuguesas queixarem-se do proteccionismo dos clientes espanhóis, não haverá algo deste tipo no ar?



sábado, maio 16, 2015

Curiosidade do dia

O sector do tomate em Portugal é um sector que me deixa muitas dúvidas. Cheira-me a uma competitividade artificial conseguida à custa de muita injecção de euros dos contribuintes europeus.
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Recordar:

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Pelo que leio no artigo:
"Se as taxas alfandegárias de 14,4% sobre os produtos de tomate desaparecerem, como está previsto no Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP na sigla inglesa) entre os Estados Unidos e a União Europeia, metade da indústria da UE também desaparece. O alerta é de Miguel Cambezes, secretário-geral da Associação dos Industriais do Tomate (AIT), que dramatiza, assim, as consequências do acordo de comércio para um dos sectores mais dinâmicos da agricultura nacional."
O racional para esta dramatização é fácil de explicar:
"“Entre 50 a 55% do custo de transformação é com a matéria-prima. O preço do tomate em Portugal é 80 euros por tonelada, a média europeia é 91 euros e na Califórnia [onde se concentra a produção nos EUA) é 67 euros. O segundo maior custo é com energia que, nos Estados Unidos, é 40% mais barata do que na Europa. Além disso, os EUA têm uma economia de escala sem paralelo”, detalha o secretário-geral da AIT." 
Ou seja, a indústria de tomate europeu vai ser sujeita a uma espécie de choque disruptivo, de tomate "chinês" made in USA.
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Como é que o incumbente deve resistir à entrada de um produtor low-cost com vantagem no custo?
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Tentando competir de igual para igual?
Tentando servir os mesmos clientes overserved?
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Não me parece que essa via dê resultados.
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Que estão os portugueses a tentar fazer?
"Conseguir maior competividade no lado agrícola passa por investimento em investigação e, por isso, a AIT (juntamente com o Ministério da Agricultura e a Confederação dos Agricultores de Portugal) avançou para a criação do Centro de Competências do Tomate que tem como missão aumentar a produtividade agrícola em 10% e reduzir custos na mesma proporção. O aumento do tempo de campanha também é uma das metas. “Nas fábricas [de transformação] não há nada a melhorar em termos tecnológicos, [Moi ici: Jesus, não será arrogância?] mas na parte agrícola sim. Estamos a montar estes centros de competência nos países produtores europeus”, adianta Miguel Cambezes."
Com base naquilo que escrevo aqui no blogue e pratico no meu trabalho nas empresas... acham que isto tem pernas para andar? Acham que vai dar resultados?
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Penso que não!!!
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Então, qual é a minha alternativa?
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Fugir do preço! Fugir da competição pelo preço! Nem que isso implique produzir menos.
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A AIT vê o ecossistema assim:
Considera que o mercado, a procura, é uma massa homogénea que só pensa no preço... rings a bell?
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Podiam começar por ler coisas como por exemplo "5 Myths of Selling Value to Procurement"
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Estou a escrever isto e a olhar para um livro de capa verde na estante ...
"Tilt - Shifting Your Strategy From Products to Customers" de Niraj Dawar. O título diz o que a AIT precisa de fazer.
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Ainda tenho um recorte de jornal de 2006(?) em que o director de uma fábrica de pasta de tomate ... vou procurá-lo e escrever sobre ele amanhã.

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Como eu gostava ...

Como eu gostava de ver o modelo de negócio da cultura do tomate em Portugal.
"Produtores de tomate dizem que exportações estão em risco"
Produzem-se 1,2 milhões de toneladas de tomate.
95% da produção é para exportação.
A exportação vale 250 milhões de euros.
O país europeu com a mais elevada produtividade por hectare.
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Qual será o preço médio de venda à indústria?
Qual será o custo médio de produção?
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Faz-me recordar que os subsídios aos inquilinos, para ajudar a pagar a renda, são usados pelos proprietários para pedir alugueres mais altos.
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E vai tomate português para Espanha só para melhorar a qualidade da mistura na indústria espanhola? E sem subsídios o tomate não tem saída?

terça-feira, janeiro 21, 2014

Sou só eu?

Sou só eu que acha absurdo falar-se em competitividade de uma produção que depende de subsídios?
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Esta história "Sector do tomate em risco. Espanha e Itália têm 36,3 milhões para ajudas directas" está a precisar de verdadeiro jornalismo de investigação e não de megafone dos incumbentes.
"A indústria do tomate corre o risco de perder competitividade face a Espanha e a Itália e recuar nos lugares cimeiros, enquanto exportadora, conseguidos nos últimos anos devido à possível distorção dos apoios dados pelos diferentes países europeus, na sequência da diminuição das ajudas comunitárias concedidas ao abrigo da Política Agrícola Comum.
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O quarto maior exportador a nível mundial de tomate transformado, que detém a maior produtividade média da Europa e a terceira mais elevada do mundo,
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Uma verdadeira estrela do agro-alimentar,
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O sector considera que, para continuar a crescer de forma a manter e aumentar o peso das exportações na balança de transacções correntes, é preciso que se criem medidas que permitam recuperar e minimizar o impacto negativo que a redução dos apoios comunitários vai implicar.
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Actualmente, o país é o único do mundo que exporta a quase totalidade da sua produção, cerca de 95%. No ano passado tornou-se no quarto maior exportador internacional de tomate transformado, ultrapassando a Espanha, e apenas atrás da China, Estados Unidos e Itália."
Há aqui um artificialismo ...
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Onde é que o dinheiro dos apoios comunitários é empregue?

quarta-feira, outubro 23, 2013

Os limites da globalização

Ainda tenho o recorte, algures, de uma entrevista a um director de uma fábrica de processamento de tomate, onde ele focava o dilema entre produzir pasta de tomate e molhos de tomate, grandes séries versus pequenas séries). O senhor chamava a atenção para a impossibilidade de produzir molhos de tomate em larga escala para o mundo globalizado porque cada país, às vezes cada região dentro de um país, tem um gosto diferente.
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Anos depois, ao ler Ghemawat, tomei consciência de como aquele sintoma, da entrevista referida acima, se encaixava em algo mais geral e profundo:
"differences between countries are larger than generally acknowledged. As a result, strategies that presume complete global integration tend to place far too much emphasis on international standardization and scalar expansion.
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“The real state of the world is semiglobalized.
The world will remain semiglobalized for decades to come.
A semiglobalized perspective helps companies resist a variety of delusions derived from visions of the globalization apocalypse: growth fever, the norm of enormity, statelessness, ubiquity, and one-size-fits-all.
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Semiglobalization is what offers room for cross-border strategy to have content distinct from single –country strategy.”
Ontem, ouvi falar da internacionalização da Abyss & Habidecor, hoje, ao pesquisar sobre a empresa encontrei este estudo "ADAPTAÇÃO CULTURAL DO PRODUTO: O CASO ABYSS & HABIDECOR":
"O processo de globalização não está a levar à homogeneização do comportamento do consumidor entre países. Pelo contrário, o comportamento do consumidor está a tornar-se mais heterogéneo devido às diferenças culturais. As estratégias de venda para um país não podem ser estendidas a outros países sem adaptação, adaptação do produto e/ou publicidade. Este fenómeno torna cada vez mais importante compreender os valores das diferentes culturas e o seu impacto no comportamento do consumidor.
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Os resultados mostram que, neste caso, os consumidores de diferentes países têm necessidades e gostos diferentes, pois compram diferentes modelos, cores e medidas de tapetes e toalhas. Deste modo, pode afirmar-se que, de facto, não parece que a globalização esteja a levar à homogeneização do comportamento do consumidor."
 As multinacionais, que têm arcaboiço para as fábricas de tamanho "cecil b. demile", gostariam de viver num mundo de bolas azuis, mas esse tempo, bom para os dinossauros, o Jurássico, teve o seu expoente no século XX, agora, o futuro é Mongo, aliás, os sintomas de Mongo estão em todo o lado.
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Os limites da globalização são uma boa notícia para as PMEs que têm uma identidade.

segunda-feira, agosto 19, 2013

Diferenciação

"Um extrato de tomate é produzido especialmente para ser incorporado numa cerveja japonesa, o que é um exemplo dos usos diferenciados que têm os produtos feitos nestas instalações nacionais."
Quantos outros exemplos deste tipo suportarão o crescimento anual previsto de 20% para o volume de negócios do grupo?
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De certeza que este mindset também tem a ver com este resultado.

Trecho retirado de "Grupo HIT espera melhor ano de sempre na produção de concentrado de tomate"

sábado, fevereiro 02, 2013

É assim que se vai construindo uma economia mais sustentável

Pode não ser "cool" para muita gente mas é assim que se vai construindo uma economia mais sustentável:
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Enquanto "Construção e bancos pensam em despedir mais":
"Um cluster que "é muito vasto, tem muitas valências, muitas oportunidades e alguns riscos também". Mas "há coisas que são absolutamente óbvias" e uma delas é no mercado das sardinhas - "o nome Portugal pesa positivamente".
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O sector das conservas tem outra vantagem, prossegue Rui Moreira. "Em muitos casos, na indústria, Portugal transforma, ou seja, importa, requalifica, aumenta o valor acrescentado e exporta. No caso das conservas, temos a matéria-prima, está aqui à mão."" (Moi ici: Isto é importante, no entanto, existir já não chega como estratégia, que nichos servem? Quem são os clientes-alvo?)
  • "Nova fábrica da Ramirez já tem licenciamento" Sem conhecimentos sobre o mercado ouso especular: Pode uma empresa de conservas portuguesa competir com as maiores conserveiras galegas pelo preço mais baixo, pelo volume? Não! Logo, variedade, variedade, variedade:
"a conserveira tem 15 marcas, duas fábricas, fabrica 55 tipos de conservas diferentes, vende 48 milhões de latas por ano e factura 27 milhões de euros (dados de 2011)."

"A ideia partira da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (AnopCerco), com o objectivo de valorizar o seu produto e tentar chegar a novos mercados. “Foi muito interessante porque foram os pescadores que se juntaram”, comenta Gonçalo Carvalho, presidente da organização Associação de Ciências Marinhas e Cooperação (Sciaena) e coordenador da Plataforma de Organizações Não Governamentais Portuguesas sobre a Pesca (PONG-Pesca). “E não é fácil juntar os produtores desde Olhão até Viana de Castelo. Mas eles conseguiram e concordaram, geriram fundos comuns, candidataram-se e agora administram esta certificação.”"

Por fim, a parte mais negativa:


quinta-feira, outubro 18, 2012

Perversões socialistas?

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Primeiro os factos:
"Ao todo foram produzidas cerca de 1,2 milhões toneladas de tomate em 13 mil hectares, ficando, segundo a AIT, acima de todas expectativas traçadas antes de a campanha começar. "Na origem dos resultados de 2012 estiveram não só as excelentes condições climatéricas como também o grau de competitividade, qualidade, inovação e desenvolvimento, (Moi ici: Isto não é factual, é uma opinião, respeitável mas ainda assim uma opinião, adiante) que caracteriza o sector", justifica a mesma associação.
As empresas nacionais consolidaram assim a 5.ª posição que Portugal ocupa na produção mundial de tomate, num sector de atividade que contribui ativamente para equilibrar a balança de pagamentos ao exportar 95% da produção. E, durante as últimas décadas o sector tem obtido um crescimento médio de 5% ao ano."
O que me faz espécie é:
"grau de competitividade, qualidade, inovação e desenvolvimento ... O agricultor de tomate português, altamente especializado, é, em termos de rendimento agrícola por hectare, o 2.º maior do mundo, só ultrapassado pela Califórnia."
Não conjugar bem com:
"A mesma associação (Associação dos Industriais do Tomate - AIT) destaca que, na proposta de renegociação do PAC, as ajudas comunitárias à produção poderão passar, em dois anos, de 2100 euros por hectare para apenas 179 euros.
A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, já deu garantias de que vai lutar pelos interesses portugueses em sede europeia, mas a AIT receia que os "produtores venham a abandonar a produção de tomate, levando ao desmantelamento de um dos sectores mais exportadores da agro-indústria nacional."
Há aqui qualquer coisa que não bate certo... alguém consegue explicar-me?

segunda-feira, março 19, 2012

Espero estar errado e a ver fantasmas onde eles não existem.

Na sequência de "Afinal há quem tenha a coragem de dizer a verdade" quem não faz o esforço de subir na escala de valor, quem não procura criar uma marca, quem não tenta ver para lá do seu comprador directo, tenta a velha receita portuguesa... a cunha.
"O presidente da República, Cavaco Silva, foi confrontado, este sábado, em Alijó, por um pedido de "ajuda, influência e esforço" para resolver a crise que afeta os pequenos e médios viticultores da Região Demarcada do Douro."
"Os viticultores queixam-se de uma quebra nos rendimentos, consequência dos baixos preços de venda dos vinhos e da redução do benefício, a quantidade de vinho do Porto que cada um pode produzir."
Outro exemplo da agricultura, primeiro o título "Empresa de Mora exporta mais de 90% da produção". Interessante, não?
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Só que o final do artigo deixa-me desconfiado ou desconcertado:
"A partir deste ano, explicou o responsável, os produtores recebem "uma ajuda desligada completamente da produção, o que poderá comprometer o setor".
"Há uma desmotivação grande dos produtores de tomate", salientou António Praxedes, defendendo que "as ajudas deveriam continuar ligadas à produção", para "uma motivação" desta atividade.
O administrador da empresa realçou que "este é um setor que tem condições para se desenvolver em Portugal", e, por este motivo, "deve ser preservado"."
Não ficam também desconcertados?
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Uma empresa exporta 90% do que produz, compra e paga a matéria-prima aos seus fornecedores, os produtores de tomate, e isso não chega para que os produtores tenham "motivação" para continuar a actividade? Hummm!!! Estranho!
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Será que no limite temos aqui uma espécie de Qimonda? Uma empresa que só consegue exportar porque a matéria-prima é subsidiada? Então, numa economia saudável a motivação para um fornecedor continuar a sua actividade não está no rendimento que tira da venda que faz do fruto da sua actividade?
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Espero estar errado e a ver fantasmas onde eles não existem.

segunda-feira, maio 28, 2007

Tomate e proposta de valor

O número desta semana do "Semanário Económico" traz esta notícia:

"Portuguesa Tomgal: a número um da Europa
A recente aquisição da fábrica de transformação de tomate da norte-americana Heinz pela portuguesa Sugal, deu origem à Tomgal. Nem mais do que a primeira no ranking europeu. As concentrações não páram de acontecer nesta indústria em Portugal, sobre a qual paira, no entanto, uma nuvem negra: a proposta de reforma do Mercado Comum das Frutas e Hortícolas. A ir para a frente, ipsis verbis, vai “matar” esta indústria no País."

O jornal refere ainda: "Apesar da sua competitividade a nível mundial, a transformação de tomate lusa está em risco"

Há qualquer coisa de contraditório nesta notícia... como é que se pode ser competitivo a nível mundial e estar em risco?

Acredito, posso estar errado, que se era competitivo a nível mundial na produção em massa de grandes volumes de polpa de tomate, um produto básico e com pouco valor acrescentado. Nesses tempos "gloriosos" o tomate transaccionáva-se a 700 € a tonelada... depois chegou a produção chinesa (quando se fala na produção de grandes volumes eles acabam sempre por aparecer) e o preço chegou aos 500 € a tonelada. É impossível competir neste terreno (dos volumes) com os chineses.

"A ir para a frente, ipsis verbis, vai “matar” esta indústria no País." Não vai necessariamente matar esta indústria, vai matar esta forma de esta indústria competir. Só há um destino a construir, abandonar o negócio da polpa, o negócio dos volumes e dedicar-se ao negócio do valor acrescentado, ao negócio dos molhos... cada povo, cada região tem os seus gostos, logo, quem trabalha com molhos de tomate trabalha no negócio das pequenas séries, pequenas quantidades, da flexibilidade. Nesse negócio, o monolítico contentor chinês, a 150 dias de viagem, não tem hipóteses.