sexta-feira, janeiro 21, 2011

Construir a cadeia de valor do futuro (parte III)

Continuado daqui.
.
"What a “Get Tough With China” Stance Would Really Look Like"
.
"Strong China growth boosted by near £1 trillion of loans"
.

3 comentários:

Buster disse...

Caro CCz,

A moeda deve seguir uma cotação que reflicta a realidade economica, nem mais nem menos. No caso português, o euro não reflecte, nem de longe nem de perto, a realidade.

Na óptica da economia portuguesa, face à procura externa dos nossos produtos vs importações, o euro adoptado é uma moeda sobrevalorizada e portanto inconforme com o que, sem qualquer intervenção estatal, estaria o escudo. Os especialistas dizem que está cerca de 40 a 50% acima.

Por outro lado, a china, além de produzir em condições ou num contexto de direitos humanos em que os empresarios portugueses na realidade não podem concorrer, além disso dizia eu, a moeda chinesa nestes ultimos 15 anos desvalorizou bastante. Dois em um.

Não peço fixação de cotação cambial por intervenção estatal a nenhum parceiro, mas exige-se que todos os players procedam dessa forma num mercado concorrencial. Se um, chico-esperto, falha quer nos direitos humanos dos trabalhadores, quer na questão cambial, então não vejo como manter a importação dos seus produtos com naturalidade.

Nestes casos, e só nestes, defendo que os paises que conquistaram valores de dignidade humana e deixam fluir os seus cambios livremente, não devem permitir que os produtos dos outros que não o fazem, NEM TEM INTENCOES serias de o fazer, cheguem aos nossos portos sem que lhes aplique um taxa alfandegaria de compensação.

RB

CCz disse...

Obrigado pelo comentário caro RB,
.
Compreenda a minha posição.
.
Lido com PMEs exportadoras ou que querem ser exportadoras. Empresas e pessoas que não têm tempo, conhecimentos e confiança em políticos, para pressionarem alterações no meio abiótico em que vivem.
.
A minha abordagem é sempre a de tomar o meio abiótico, que pode mudar, como uma lei da Natureza, como a gravidade, como um constrangimento que temos de considerar no desafio. Assim, apesar de poder achar que há mais ou menos injustiça nas relações comerciais isso de pouco vale para o meu trabalho e para o das PMEs exportadoras longe dos corredores do poder, temos de arregaçar as mangas e fazer como as mulheres... num mundo feito para homens, não basta ser boa profissional, tem de ser muito boa profissional.
.
Veja o exemplo do calçado brasileiro versus o exemplo do calçado português... e o calçado importado pelo Brasil deve ter taxas alfandegárias de respeito... para máquinas é de 30%.
.
Veja em Portugal a diferença entre o têxtil e o calçado, e veja a diferença nos discursos das respectivas associações.
.
Por princípio, o que em termos económicos até pode ser errado, tenho simpatia por uma atitude à "angolana" - fazer aos outros o que nos fazem a nós.

Buster disse...

Certo CCz, mas sabe, pelas minhas contas Portugal precisa de multiplicar por 60 o volume de exportação de calçado para equilibrar o déficit comercial global. Com isto quero significar que a economia de um país não consegue ser superavitaria com politicas permissas a nivel de importações de paises que fazem batota. Não consegue. Mesmo a alemanha, embora os produtos que vende sejam, de certa forma, menos sensiveis ao factor preço, beneficia de uma batota cambial indirecta, isto é, um euro cuja cotação está abaixo do que o marco estaria em cerca de 30 a 40%.

Ou seja, um país estavel e sem um desemprego fracturante deve ter uma economia necessariamente constituida por uma diversidade de empresas: aquelas que não concorrem no preço, aquelas que concorrem no preço, aquelas que exploram a diferenciação e a inovação etc. Todas elas são importantes e não podemos esperar multiplicar por 60 o numero de exportadores de calçado. Precisamos de quem cá dentro fabrique bolas de futebol e chips, de torneiras a brinquedos.

É impossivel abdicar de todo o tipo de negócio que pode ser produzido no exterior com batota.
Podemos ter confiança, mas não podemos ser irrealistas e esperar o impossivel das gentes e empresarios portugueses.

Se reparar nas contas portuguesas, chega à conclusão que 80% das exportações são efectuadas por 10 empresas. Algumas até nem são nacionais e dúvido que Portugal beneficie a nivel de impostos ou lucros dessas empresas.

Beneficia, isso sim, a nível de emprego e subcontratos eventuais (já não é mau). De impostos, porque penso que essas empresas (ford) estão, por acordo com os governos, isentas. De lucros, porque não duvido que a massaroca gerada beneficie o sistema finaneiro portugues, os lucros devem ser repatriados regularmente.
.
Anyway, isso nem é importante. O importante é perceber que atingir um volume de exportações muito maior requer politicas activas de fomento e estimulo às empresas. A fiscalidade na importação de materia prima é um dos factores que deveria ser reduzido drásticamente. O apoio a centros de investigação e inovação é outra solução, que aliás permitiu ao calçado melhorar significativamente e acrescentar valor ao produto.
.
Mas, não deixo de achar que, equilibrar a batota por imposição de algumas taxas na importação de produtos acabados e concorrentes com os nossos, poderia fazer ressurgir, de novo, negócios que se perderam e que geravam emprego.
.
A reciprocidade deve ser usada.
.
E depois, há outras matérias que importam decisivamente para as contas dos paises. Os grandes negócios. Por algum motivo, Portugal e Espanha suspenderam as investigações para tornar possivel o pipeline de gas para o magrebe. É pela alemanha que entra o gaz natural para a europa, em parceria coma gazprom russa. Ora, um pipeline ibérico poderia gerar biliões de euros e o fornceimento bem mais pacifico do que o do báltico.

Então porque suspenderam um projecto tão promissor?

È fácil, por falta de orçamento. A UE (como quem diz- a alemanha) promoveu nestes ultimos 15anos o co-financiamento de infraestruturas para os aderentes mais pobres. Portugal e Espanha gastaram a massa do orçamento interno todo em merdices infraestruturais... mas faltou dinheiro para o fundamental - o pipeline. Na verdade, aquilo que geraria dinheiro e que tem a ver com a nossa previligiada localização, não será aproveitada porque fomos aliciados a infraestruturar o país com merdices improdutivas.
.
RB