sexta-feira, junho 06, 2008

Roma já está a arder...

... mas como arde devagarinho poucos notam.
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Depois deste postal, o texto de Nuno Garoupa no Jornal de Negócios de ontem: "Portugal: uma economia submergente" faz-me reconhecer que mais gente vai descobrindo o fenómeno.
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"Pouco a pouco o Governo vai percebendo aquilo que é a realidade: Portugal continuará a ser um case study nas escolas de economia por este mundo fora. Desta vez, não por ser um caso de êxito sem precedentes (como se dizia nos anos 90), mas porque é talvez a primeira economia desenvolvida que se pode designar de economia submergente. Tal como manda a definição, a economia portuguesa vive um processo de empobrecimento continuado, sustentado e possivelmente irreversível."
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Não esquecer que já somos case study conhecido como "the portuguese trap"

11 comentários:

Voluntária Angolana disse...

Engenheiro, quando nos transformamos num case study, com designação e tudo, penso que alguém devia fazer soar todas as trombetas, tocar todas as sirenes, acender todas as luzes de sinal de perigo. Mas para isso, alguém (que conviria ser alguéns) teria de ter a coragem e o carisma de tocar a reunir e fazer com que todos nos reuníssemos.`Primeiro, (veja como estou a ficar pragmática e o meu optimismo natural vai fenecendo quando penso em Portugal) para decidir se queremos ter Portugal. Porque, se calhar, não queremos. Se quisermos, precisamos da Visão, de definirmos a Missão, identificar muito bem os objectivos, definir as melhores estratégias e TRABALHAR. Se não quisermos ser Portugal, devemos destruir todos os livros de História, derrubar os sinais do que fizemos quando trabalhámos como equipa, e depois pôr um anúncio. Provavelmente num mercado asiático, parece que o dinheiro abunda e está na moda parecer ocidental. Mais ocidental que nós não encontram...
Engenheiro, quando penso nos meus Filhos e Netos, bons de mais para este país, o meu coração fica do tamanho de um bago de ginguba.E tantos outros que a Vida me fez conhecer e encontrar (nunca por acaso). Façamos a nossa parte para, ao menos, ficarmos com a consciência tranquila. Um abraço da V.A.

Raul Martins disse...

É Carmo, temos que ir fazendo a nossa parte porque apesar de tudo é o nosso país. Mas que dói, dói. E que assusta, assusta.
E as trombetas andam por aí a suar mas para o "big boss" deste país nada se passa.
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Missão e Visão... Quem aprendeu com quem? A ma~e com o filho ou o filho com a mãe? Só para brincar!
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E caro Carlos, Portugal excluído do Top 20 do IDE na Europa? Só conseguimos captar 37 projectos IDE na Europa. Espanha conseguiu 256! Oito vezes mais!
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E deixa-me ir trabalhar para não levar umas "vergastadas" mais daqui a umas semanas! Foi pausa para o café!
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Um abraço tribal para os dois.

CCz disse...

"Se quisermos, precisamos da Visão, de definirmos a Missão, identificar muito bem os objectivos, definir as melhores estratégias e TRABALHAR."
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Só que isso na minha linguagem, e na minha visão do mundo (com vê pequeno) é socialismo. Implica Planeamento Central, implica uma Estratégia, implica uma Direcção... e eu ainda não estou convencido das teses de Pedro Arroja http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2008/06/corporative-system.html

por mais atraentes que elas sejam como explicações da realidade. Não estou convencido de que a solução seja um novo Salazar, ainda prefiro políticos com as ideias de Bloomberg (remember?):
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http://balancedscorecard.blogspot.com/2008/05/tentao-nacional-socialista.html

Grifo disse...

Sendo a Missão e a Visão dois conceitos centrais para a metedologia do Balanced Scorecard, poderemos assim concluir que as organizações que a utilizam são de natureza socialista ?

CCz disse...

As organizações que as utilizam denotam planeamento central, denotam de certa forma um tipo de socialismo, é verdade.
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A gestão assume a direcção e o destino da organização, tem essa responsabilidade e autoridade.
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Se uma organização faz as opções erradas, ou faz opções certas que se tornam erradas, responde com a sua própria existência. É a vida.

raul disse...

Como uma opção certa se torna errada?
Ou, para ver se percebo, tomamos uma decisão que parece certa, porque acreditamos que é certa e, no fim, afinal, o resultado não é o que esperávamos e, por isso, errada? É isto?

CCz disse...

Caro Raul,
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Quando uma organização decide, pode acontecer que decida sem ter toda a informação relevante.
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No momento em que a decisão é tomada, tendo em conta a informação conhecida e tendo em conta as circunstâncias em vigor, os deuses podem classificar a decisão como certa.
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Depois, porque as circunstâncias mudam, lembre-se dos meus postais anteriores sobre as paisagens adaptativas, sobre as fitness landscapes ou business landscapes, a decisão certa, torna-se errada.
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O postal é comprido, mas se tiver tempo veja o que concluiu Lindgren:
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http://balancedscorecard.blogspot.com/2007/12/ainda-propsito-de-quem-cr-na-soluo.html

CCz disse...

Caro Grifo,
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Neste postal:
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http://balancedscorecard.blogspot.com/2008/04/strategy-as-wicked-problem.html
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Está uma argumentação para a não adopção do socialimo por parte dos governos, pelo menos em ambientes de muita turbulência económica. Ninguém pode prever qual a melhor opção, e a melhor opção num momento é sempre transitória.

Grifo disse...

Caro CCZ

Não consegui abrir o link que me recomendou.
Mas pelo conteúdo do seu comentário poderei concluir que em ambientes de pouca turbulência económica a adopção do socialismo poderá ser aceitável ?

CCz disse...

Quem decide nunca tem toda a informação, é impossível ter toda a informação.
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Em ambientes turbulentos, ou muito mais abertos e competitivos, a velocidade a que a informação existente se torna obsoleta é muito mais rápida, nesses ambientes há muito mais risco de apostar no cavalo errado.
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Numa economia não planeada centralmente, diferentes intervenientes podem tomar diferentes opções, algumas até perfeitamente contraditórias. Assim, o risco para a comunidade é minimizados porque há sempre alguém que aposte num dos cavalos em concurso, uns ganharão, outros perderão.
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Em ambientes pouco turbulentos, com pouca competição, com uma oferta inferior à procura, em princípio tudo se vende, a regra é o produtor manda, a directiva é ser eficiente.
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Nunca fiz estudos comparativos, mas nesses casos, se calhar, um regime socialista é capaz de produzir resultados semelhantes ao de um regime de mercado livre.
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Quanta à sua pergunta inicial, a verdade é que as empresas que operam no "mercado livre" não são democracias.

Raul Martins disse...

Realmente o poste era grande mas interessante. Lá tive que utilizar o "tradutor". Agora compreendo. Não há estratégias definitivas e sempre ganhadores. Todas têm o seu tempo de brilhar. Temos é de ser inovadores e não dormir à sombra da bananeira. Temos que estar sempre acordados. Definitivamente.
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Obrigado pela atenção que dedicou.
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Um abraço tribal.