quinta-feira, outubro 11, 2007

Sol de pouca dura!

Na manhã de ontem, ouvi estas palavras delicodoces do ministro Mário Silva, acerca da abertura do último troço do Eixo Norte-Sul:

"«Têm uma economia em tempo e em quilómetros por dia. Vai ter uma redução muito forte de CO2. O impacto desta via nessa matéria equivale a tirar oito mil veículos da circulação»"

Será que o ministro acredita mesmo nisto? Será que o ministro não sabe (não acredito) que existe uma relação viciada, contaminada, entre carros e estradas.


Quando aumenta o número de carros a circular nas estradas, aumenta a pressão para construir mais estradas. Quando se constrói uma nova estrada, diminuem os engarrafamentos e as bolas vermelhas no tráfego automóvel.

Como diminui a congestão do trânsito, torna-se mais atractivo usar as estradas, logo... aumenta o número de carros a circular nas estradas. Here we go again!

5 comentários:

Grifo disse...

Poderemos então concluir que a melhor maneira de controlar / diminuir os engarrafamentos, será através do encerramento e/ou deterioração das estradas ?

CCz disse...

Olá Caro Grifo,

Se reparar, não é esse o ponto do postal. O ponto é acreditar que mais estradas levam a: "Têm uma economia em tempo e em quilómetros por dia. Vai ter uma redução muito forte de CO2. O impacto desta via nessa matéria equivale a tirar oito mil veículos da circulação"

CCz disse...

As experiências feitas permitem concluir que é possível controlar / diminuir os engarrafamentos: promovendo o uso de transportes públicos; e promovendo o "car pooling" (penso que foi uma opção usada (em uso?) na Califórnia.
Há anos fiz o trajecto Anaheim - Los Angeles em auto-estrada: as vias mais à esquerda estavam impedidas para carros com uma única pessoa.

Grifo disse...

Caro CCZ
Teoricamente, parece-me que o raciocinio do "melhores estradas/redução de emissões" está correcto, pois em termos liquidos haverá uma efectiva redução (não sei se equivalente a 8.000 veículos...)resultante de uma melhoria na circulação automovel, com menos tempos mortos (engarrafamentos).

Já quanto à melhor forma de reduzir as emissões, estou inteiramente de acordo com o seu segundo comentário, apenas com uma dúvida :
Que entidade irá promover os transportes públicos ?
Empresa privada ou pública ?
De acordo com o paradigma actual, tudo o que é gerido pelo Estado é mau...
Resta a iniciativa privada, que me parece estar mais preocupada com indices de rentabilidade ( o que é totalmente legitimo) e menos com preocupações ambientalistas.
Como resolver este problema ?

CCz disse...

Como resolver este problema ?

Quando trabalhei com japoneses aprendi a expressão:

Watashi wa shorimasen!

(espero não me ter enganado)

Não sei qual a solução. Acredito mesmo que não existe uma solução, poderão existir pequenas soluções, micro-soluções em função das condições específicas de um local.